29 de outubro de 2012

Open space




Trabalhar num open space é viver permanentemente dentro de um documentário do National Geographic. Basta abrir a pestana e desfrutar da observação.

Descobrimos facilmente que não é só nas planícies do Serengueti, nas estepes asiáticas ou nas savanas africanas que existem espécies raras.

Sob uma determinada perspectiva estamos rodeados por animais autênticos: coçam-se, arrotam, flatulam, tiram macacos do nariz, tiram sebo das orelhas, levam o dedo mindinho ao dente, bocejam como hipopótamos e voltam a flatular abundantemente.

Para marcar território só falta mesmo urinarem em todos os metros quadrados definidos como "área pessoal".

Nesse espaço pré-estabelecido por ordem superior colocam cartazes nas paredes, post-its, listas telefónicas, as fotografias das crias são um must e
tornam-se muito violentos quando se vêem privados da sua extensão telefónica.

Mas estamos a falar de outras semelhanças. Uns andam em grupos, outros isolados.

Uns aventuram-se ao almoço sozinhos, outros não. Uns voltam depois de almoço, outros nem por isso.

Num bom documentário animal não falta a parte do acasalamento.

Num open-space a quantidade de rituais de acasalamento envergonharia qualquer bando de hienas. Aqui o cio varia entre vários dias até vários anos.

É machos à volta de fêmeas, é fêmeas à volta de machos e depois também há muita bichanice. E o cheiro permanece no ar.

Descobrimos que trabalhar em open space tem regras próprias, como se tivessem sido impostas pela Mãe Natureza, onde é obrigatório falar baixinho porque o chefe não gosta do nível sonoro da tua gargalhada.

Ficas a saber que a vizinha do lado tem a mania de meter clips pelas orelhas para tentar sacar vários quilos de cera, que outros metem lápis nas narinas, lápis esses que vemos minutos mais tarde nas mãos de um director geral apressado em assinar um memo, que existe alguém que se rasga alarvemente e deixa um odor a putrefacção no ar, todos pensamos que são a merda dos americanos e os seus poluentes lançados para a atmosfera mas o cabrão está mesmo ali ao lado a digerir a entremeada com arroz e saladinha, ficamos a saber que o pulha ali à frente comprou um CD e que o ouve até gastar o raio laser do leitor, descobrimos que muitos dos nossos objectos pessoais desaparecem sem deixar rasto, sabemos que aquele tipo tem problemas em casa e que aquele outro tem um primo com um cancro na cabeça desde os 7 anos, percebemos que uma tipa não toma banho e que outra toma-o com o chefe, etc.

A lista é interminável.

Mas há coisas boas. Coisas positivas.

A melhor que descobri até agora é que tomamos conhecimento de tipos com muito mais pancada do que nós.

Valha-nos isso.

Eu sempre ouvi dizer que aquilo lá fora é uma selva.

Mas chego à conclusão de que a concentraram toda dentro de um open space.

De alguém que não sei quem...

28 de outubro de 2012

O despudor

Eles já se sentem à vontade para se mostrarem o que realmente são e pensam! Até onde pode ir o despudor da nova classe de senadores do regime, os grandes empresários e banqueiros que se passeiam pelas televisões dissertando sobre a crise e as soluções como se eles próprios não fossem parte do problema. 

Em mais uma dessas entrevistas dadas a um canal televisivo, Fernando Ulrich, presidente de um banco que recebeu mais de mil milhões de euros do Estado para cobrir o buraco resultante da má gestão do próprio Ulrich, sugere que o Governo deveria pagar a desempregados para trabalharem no seu banco, assim como noutras grandes empresas do pais, como a EDP, PT, Jerónimo Martins ou Sonae. A bem da nação. E por uma questão de "enriquecimento profissional" do desempregado, claro.

http://www.ionline.pt/dinheiro/fernando-ulrich-propoe-estado-pague-desempregados-trabalharem-grandes-empresas

26 de outubro de 2012

Tenebroso. Deixa qualquer um desmoralizado


 O ex- vice do PSD e  colaborador da Goldman Sachs e do FMI, organizações de onde saiu sem glória tenta mostrar ao entrevistador que os fins justificam os meios e o neoliberalismo é o caminho. Só não contava ser arrasado pelo jornalista da BBC, Stephen Sackur. Esta entrevista tem mais de um ano, mas é absolutamente esclarecedora. Quem nos dera ter jornalistas deste calibre e frontalidade.

25 de outubro de 2012

Carlos Carvalhas em 97 Sobre a Moeda Única


ENTÃO NÃO É QUE O HOMEM TINHA RAZÃO!…
«A moeda única é um projecto ao serviço de um directório de grandes potências e de consolidação do poder das grandes transnacionais, na guerra com as transnacionais e as economias americanas e asiáticas, por uma nova divisão internacional do trabalho e pela partilha dos mercados mundiais.
A moeda única é um projecto político que conduzirá a choques e a pressões a favor da construção de uma Europa federal, ao congelamento de salários, à liquidação de direitos, ao desmantelamento da segurança social e à desresponsabilização crescente das funções sociais do Estado.»


Carlos Carvalhas, Secretário-geral do PCP — «Interpelação do PCP sobre 
a Moeda Única»

18 de outubro de 2012

“Escola deixou crianças à fome”


É triste... é triste, muito triste...

Um ministro da educação que vai averiguar, averiguar o que? As ordens que deu aos Directores das Escolas, no inicio do ano escolar, que quem não pagasse, não comia?

Vai averiguar a fome que assola o nosso País e as nossas crianças?

Vai averiguar o porque de diariamente existirem crianças, nas escolas, a desmaiarem por nem terem jantado no dia anterior?

Vai averiguar as crianças que não têm capacidade física para praticar educação física, porque o seu organismo não tem nutrientes para suportar tal esforço?

Vai averiguar as escolas nas quais os professores e funcionários juntam-se, com “pena” dos alunos, para darem-lhes comida?

Vai averiguar as poucas escolas que possuem refeitórios próprios, não concessionados a empresas externas, nas quais os professores e funcionários andam a pedir batatas, verduras, carnes, peixe, fruta, etc... para poderem preparar refeições a fim de matarem a fome?

Vai averiguar e exigir que os culpados da miséria sejam responsabilizados criminalmente, e julgados?

Não... Não, o que ele vai é assobiar e falar palavras coloridas, para depois reunir-se em conselho de ministros com os criminosos que andam a matar as nossas crianças à fome, para protegerem e aumentarem as fortunas de meia-dúzia....

14 de outubro de 2012

Novas directivas para vigilância dos exames :)

Com os cortes nos recursos humanos das escolas vai ser mais difícil vigiar os exames, pelo que Nuno Crato já deu orientações ao Ministério da Educação para recolher junto dos hipermercados, supermercados e comércio local, todas as caixas de cartão que passarão a ser usadas como demonstra a fotografia. A medida, além de eficaz, assegura o Ministro, não tem custos para o Estado e constitui ainda uma boa prática ambiental, neste caso a reciclagem.



















(Foto tirada no exame final da Academia de Polícia na China)

É assim que se pede em namoro hoje em dia.




Dez escudos...

O avô conta ao seu neto João as grandes mudanças que aconteceram na sociedade, desde a sua juventude até agora...


« Sabes, João, quando eu era pequeno, a minha mãe dava-me dez escudos = (+/-) 5 cêntimos hoje, e com isso mandava-me à mercearia da esquina.

Então eu voltava com um pacote de manteiga, dois litros de leite, um saco de batatas, um queijo, um pacote de açúcar, um pão e  uma dúzia de ovos..!"

E o João respondeu-lhe:

«Mas avô, na tua época não havia câmaras de vigilância???»

Macaco e cão no ginásio

video

Eugénio Rosa - economista - e as declarações de António Borges


Caro(a) amigo (a)


António Borges afirmou que a descida da TSU para as empresas era um medida inteligente e que os patrões eram ignorantes por se terem oposto a ela; mas também afirmou, na mesma altura, na sua campanha persistente para  baixar os salários nominais em Portugal e, em particular, os salários dos trabalhadores da Função Pública, que as despesas com pessoal na Administração Pública representavam 80% das despesas do Estado.



A primeira afirmação (ofender os patrões) provocou grande alarido e reações na comunicação social, mas a segunda (ofender os trabalhadores) não causou qualquer reação, apesar de ser mentira e ser repetida pelo patrão da Jerónimo Martins, no dia seguinte, nas declarações que fez no Telejornal das 13H da RTP, passando como verdadeiras e alimentando a campanha contra os trabalhadores da Função Pública.



Neste estudo (em anexo), analiso sob o ponto de vista de credibilidade técnica, uma e outra afirmação, e não apenas se foram ou não convenientes sob o ponto de vista político, como o debate no espaço público se tem limitado.



Espero que este estudo possa ser útil.

Com consideração,

Eugénio Rosa

Economista



11 de outubro de 2012

Só passaram 80 anos...


"...Nós temos que reduzir o salário dos trabalhadores e retirar-lhes o direito à greve."
Adolf Hitler 1933


Soa-lhe Familiar?

8 de outubro de 2012

Nova placa de boas-vindas a Coimbra...


DIABRURAS DO COITADINHO E IGNORANTE SR.BORGES


ESTADO CONTRATA FIRMA DE BORGES


Segundo respostas  categóricas dada ao jornal CORREIO DA MANHÃ por Joaquim Reis, presidente da empresa estatal PARPUBLICA, esta assinou, não a título pessoal de prestação de serviços, mas sim através da empresa ABDL (António Borges & Diogo Lucena), um contrato para prestação de diversos serviços de consultadoria com a duração de um anorenovável e a mensalidade de 25.000 euros.

Se ainda há quem tenha dúvidas de toda esta tourada, este é mais um exemplo do que é a decência e a "total transparência" com que reinam os membros deste governo e os ignorantes professores em quem se apoiam convencidos que a aldrabice, assim, confunde-se menos com corrupção e outras gordurase que assim também, iremos todos de olhos vendados e um sorriso nos lábios a caminho do precipício donde só por obra e graça do Espírito Santo conseguiremos regressar.
Disse.

De alguém que não sei quem...

"sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam", José Saramago em Lisboa

















Autora: https://www.facebook.com/patricia.almeida.90475

6 de outubro de 2012

Greves na CP


Penso que a reclamação não deve ser feira aos trabalhadores da CP, mas à administração... e o governo que é o seu couveiro...

Temos que ter sensibilidade e conhecimento para dizermos o que dizemos.

Pois os trabalhadores estão a fazer greve ao trabalho suplementar, porque obrigam-nos a fazer trabalho suplementar mas não lhes querem pagar esse mesmo trabalho suplementar decentemente...

Por algum motivo a CP não possui os trabalhadores suficientes para o normal funcionamento da CP... porque recorrem de forma corrente ao trabalho suplementar.

Devemos reclamar da decisão que houve de não ser obrigatório os serviços alternativos, quando existe greve ou outras anomalias.

Para quem não sabe, quase todos os maquinistas têm mais de 15 dias de férias para gozarem e a CP não deixa, porque não têm o numero mínimo de maquinistas para a CP funcionar normalmente.

Enquanto isto a REFER está nas "lonas" porque e a FERTAGUS anda a lucrar e muito à conta do Estado.

Para o publico não há dinheiro, para os privados há e muito... o negocio da FERTAGUS foi um atentado aos bens públicos; Além das indemnizações que receberam (o ano passado o lucro da Fertagus foi igual à renda/indemnização) do estado...

Quando foi aberta a linha sobre a ponte 25 de Abril a CP foi proibida de concorrer, dava lucro, pois claro; A Fertagus ganhou o concurso, o estado ofereceu-lhes os comboios (posteriormente obrigaram a CP a comprar esses comboios à Fertagus, e agora estão alugados pela CP à Fertagus - grande negócio), e tiveram direito a indemnizações devido a não terem um determinado numero de utentes (contagem feita pela Fertagus, pois claro).

Por este motivo é que têm os bilhetes e os passes caríssimos...
Agora vão usando e abusando do material da REFER e não pagam um cêntimo...
Grande negócio.
Mas a culpa é dos trabalhadores da CP, pois claro...

3 de outubro de 2012

Os filhotes de salazar/caetano (3ª tiragem)

por Victor Nogueira a Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012 às 2:08 ·


A propósito de intervenções nas redes sociais, em blogs ou comentários de lleitores em jornais on-line

Mas que pobreza de argumentação. Com tal nível, os defensores de Salazar contra o 25 de Abril na sua universidade salazarista nem passariam do 1º semestre do 1º ano. Quanto muito seriam “licenciados” como polícias de giro e cacete. Daqueles que usavam fartos bigodes. E muitas vezes imponente barriga

Serão "analfabrutus" ou "inteligentes" os que defendem salazar ou a troika ? Há relação entre salazar e as troikas ?

__________


Como cogumelos depois da chuva aparecem os defensores de Salazar e do Paraíso. Transformado em  Inferno pela "traição" do 25 de Abril." Mas será o 25 de Abril uma traição ao Portugal de Salazar/Caetano? Que Paraísoo havia antes do 25 de Abril ? Paraíso para quem ?

Sim, antes do 25 de Abril era o Paraíso. Havia uma elite de endinheirados ou  iluminados e uma corja de milhões de analfabetos. Ou analfabrutos. Tão analfabrutos que largando o Jardim das Delícias à beira-mar plantado emigravam aos milhares de milhares para procurarem lá fora o pão e o mel que aqui não vislumbravam para além da fome e da miséria e dos bucólicos tugúrios campestres ou encantadores bairros de lata. Aos milhares de milhares. E só os brutos viam e sentiam o trabalho de sol a sol nos campos do Alentejo. E os dias não pagos quando fazia mau tempo. Dias não pagos na agricultura. . Na construção civil e obras públicas. Na indústria das conservas de peixe. E nas horas extraordinárias à borla. E trabalhadores despedidos se adoeciam. Sem assistência na doença. Nem eles nem as famílias. Trabalhadores e suas famílias sem qualquer apoio no desemprego. E trabalho sem direito a férias para a esmagadora maioria.

Havia   as praças da jorna. Sucessores dos mercados de escravos. Antecessoras das empresas de trabalho temporário ! Tudo igual no essencial  - trabalho escravo. Trabalho assalariado. Trabalho precáriio. Tabalho à peça ou à hora. Um elo de ligação- desvalorização do trabalho e da liberdade que não seja a do expllorador ! Seja patrão, seja capitalista, seja empresário, empreendedor ou não !

E havia pedintes e crianças e aleijados - uma esmola “pelo amor de Deus”.Ou “pela sua rica saúde”. E pedintes e aleijados e crianças esmolando. Pelas ruas. Pelas esquinas. À porta das igrejas. E crianças trabalhando sem ir à escola. Vendendo jornais. Ou como marçanos levando as compras da mercearia às casas. E criadas de servir sem direitos e de que se serviam os patrões e seus filhotes. Despedidas – as desavergonhadas – se engravidavam. E os aprendizes - crianças - mão de obra barata.  E maridos que matavam impunemente as mulheres para “lavarem a honra”.  Machos lusitanos viris com amantes e ”espanholas” a quem montavam casa.

E mulheres dependentes da autoridade e arbítrio. do marido e das suas autorizações, do senhor todo poderoso. E apenas “curiosas” para assistirem aos partos. E para fazerem abortos. E filhos, muitos filhos, arrastando-se pela miséria. Ranhosos, Esfarrapados, Famintos. Enfezados.  E as mães tendo de ir trabalhar logo a seguir ao parto. Para não serem despedidas ! E as mulheres com salários inferiores aos dos homens. Porque salazar e os patrões as consideravam seres inferiores.  Era a Lei. Estava na Lei !

Porque será que as crianças nascidas depois  do 25 de Abril são mais altos que os nascidos anteriormente ? Talvez porque só depois do 25 de Abril passou a haver acompanhamento das mães durante a gravidez e partos assistidos nos hospitais públicos com acompanhamento médico às crianças e jovens. E possibilidade das populações darem melhor alimentação aos filhos. Incluindo leite e abandonando as "sopas de cavalo cansado", isto é, pão e vinho,  que embruteciam logo desde a nascença em muitas aldeias e vilas e cidades de Portugal.  

E velhos que se enforcavam devido à miséria. Sem dinheiro. Sem saúde. Sem apoios sociais. E famílias a comerem o pai uma sardinha e os filhos côdeas de pão. E vinho, muito vinho e tabernas a cada esquina para “dar de comer a um milhão de portugueses”. E em muitas vilas e aldeias do Alentejo duas sociedades “recreativas” – a dos pobres e a dos ricos. E a pobreza envergonhada da pequena burguesia.

E os “criados” dos cafés e os motoristas de taxi e os engraxadores – velhos ou miúdos – vivendo apenas da gorjeta. Sem direitos. E os aprendizes de operário ou de costureira ou mesmo criadas de servir  - crianças - que muitos não eram remunerados pelos patrões.

E na verdade não havia tantos automóveis. O povo e os trabalhadores andavam de eléctrico ou de autocarro, cada vez mais amontoado como gado nos transportes colectivos. Ou de motorizada. Ou de bicicleta. Ou a pé. Meios  de transporte saudáveis, curtidos pelo sol, ou pelo frio, lavados pela chuva, refrescados pela brisa no rosto !

E aldeias e vilas e bairros de lata de norte a sul e no interior, sem água canalizada. Sem electricidade. Sem esgotos. E as casas  sem instalações sanitárias ou de banho. "Aliviando-se"  as pesoas ao ar livre. Atás duma moita ou das estevas. E as malvas a servirem de papel higiénico. E as ruas lamaçais. E uma bicia ou fonte para o povo.  De cantaro à cabeça ou à ilharga.

E a Ponte sobre o Tejo ! Ah! A Ponte sobre o Tejo que não era de Salazar construída com o desalojamento forçado e com indemnizações de miséria aos habitantes e proprietários de Alcântara. E os bairros de lata. E os mortos nas cheias de 1967 em Lisboa porque Salazar não permitiu que as populações fossem alertadas das chuvadas torrenciais que se avizinhavam. E os milhares de camponeses mortos em Janeiro de 1961 na Baixa do Cassanje, em Angola, numa área maior que Portugal, em greve contra o regime de monocultura da Cotonang, metralhados e regados com napalm pelas Forças Armadas Portuguesas E tantos e tantos massacres com as almas voando para o Paraíso se inocentes de que os jornais não falavam. Massacre da Baixa do Cassanje anterior aos massacres perpetrados pelos camponeses do Norte de Angola, enquadrados pela UPA com o apoio não da URSS mas dos EUA. Em 15 de Março de 1961

A mentira do Portugal do Minho a Timor, onde nas colónias e apesar de 5 séculos de ocupação a esmagadora maioria das populações não falava português nem tinha direitos de cidadania. Apressadamente reconhecidos apenas depois do início das revoltas na Guiné, Angola, Moçambique, S. Tomé e Princípe  ... Isto é, depois de 1961. E  os brancos lá nascidos, durante muito tempo oficialmente considerados "brancos de 2ª." Era o registo no Bilhete de Identidade. Colónias portuguesas cujos territórios em África só foram "ocupados" depois da Conferência de Berlim, em 1885. Após as campanhas militares de ocupação e "pacificação" contra a resistência dos africanos. Campanhas militares efetuadas no final da Monarquia e prosseguidas durante a I República ! Resistência dos povos africanos tão respeitável e  louvável como a que ao longo de séculos o povo português tem feito à ocupação ou tentativas de ocupação de Portugal pelo Reino de Castela ou fazem à invasão e ocupação pela Troika FMI-BCE-UE..

E cargas policiais e da GNR e a PIDE para os “desordeiros”  e "díscolos". “Desordeiros” ou "díscolos" eram todos os que faziam greve. Ou reivindicavam melhores salários ! Ou melhores condições de vida e de trabalho ! Ou pediam trabalho. Ou que se manifestavam fora do enquadramento do Governo. Despedidos de imediato e não poucos presos e torturados. Ou - pelas forças de "segurança" -  impunemente assassinados.  Trabalhadores.  Assalariados rurais, Gente do Povo. Incluindo comunistas. Ou estudantes. Ou o genaral Humerto Delgado. Tudo "a bem da Nação". "Tudo pela Nação e nada contra a Nação !  Eram  "(des)Governos de Salvação Nacional"

Gente tão bruta que precisava de ser vigiada para não se tresmalhar. Tão bruta que precisava de autorização para se manifestar.  Tão bruta que precisava de autorização para se associar.  Tão bruta que precisava de autorização para se reunir. Tão bruta que não podia votar para não escolher ... mal. Isto é, para não mijar fora do penico. Outros pensavam e decidiam pelos analfabrutos. Gemte tão bruta, sempre vigiada no que escreviam ou diziam. Vigiada pelos pelos coronéis da censura prévia do lápis azul ou cercados  por dez mil olhos e cem mil orelhas em redor.  Salazar dizia e os livros da escola repetiam -  "Casa onde há fome  todos ralham e ninguém tem razão" ou "Se soubesses o que custa mandar toda a vida gostarias de obedecer". Por isso só era reconhecido um Partido - o da União Nacional. Proibidos e perseguidos sobretudo o Partido Comunista Português e os sindicatos. Sindicatos "protegidos" pelo Governo e Patronato. Tudo em nome da submissão e do respeitinho. Submissão e respeitinho ao pai e chefe de família. Submissão e respeitinho ao professor e na escola. Submissão e respeitinho a "Sua Excelência" o "venerando" presidente da República, aos governantes e ao Governo. Submissão e respeitinho a "sua Excelência o senhor professor doutor" Salazar/Marcelo. E, sobretudo, submissão e respeitinho ao Patrão e ao Chefe e à Santa Madre Igreja. Tudo, repete-se, "a bem da Nação".  "Tudo pela Nação e nada contra a Nação"  Eram  "(des)Governos de Salvação Nacional"

Analfabrutus e falhos de inteligência todos quantos tentaram derrubar Salazar ou Caetano ? O  Presidente da República, general Carmona, após a II Guerra Mundial. O almirante Quintão Meireles. O general Norton de Matos. O general Craveiro Lopes, Presidente da República. O General Humberto Delgado em 1958. O General Botelho Moniz depois do início da guerra colonial, em 1961. Coadjuvado pelo futuro general Costa Gomes. Os Generais Spínola e Costa Gomes. [ Afinal o único Presidente da República que não quis demitir Salazar após o termo da II Guerra Mundial foi  o "Venerando" corta-fitas Almirante Américo  Tomás. ] Muitos destes apoiados não pela URSS mas pelos EUA. E, sobretudo - aberta ou surdamente -contestavam o Paraíso a maioria do povo português e os trabalhadores, incluindo  os comunistas !

E as colónias que até 1961 se não podiam industrializar nem desenvolver para se proteger a indústria de Portugal, na Europa. E a guerra colonial. Cada vez com mais  refractários ou desertores. Entre os soldados e os oficiais. Analfabrutos que não percebiam porque haviam de morrer ou ficar inválidos e abandonados. Ou traumatizados pelo stress da guerra. E que, “sem inteligência”, zarpavam e zarpavam e zarpavam … de Portugal.

Sim não eram portugueses de rija cepa e pegas de cernelha ou a rabejar. Eram todos estrangeiros. Milhões de estrangeiros. Que analfabrutos não vislumbravam o Paraíso mas apenas a fome, a miséria, a doença, a falta de trabalho. Sim milhões de estrangeiros, milhões de estrangeiros na Pátria que os viu nascer. Pátria madrasta onde, analfabrutos, muitos sem a 4ª classe, apenas viam a fome, a miséria, a doença, a falta de trabalho.

Sem inteligência para vislumbrarem o Paraíso do dia-a-dia espelhado nos jornais e na televisão de Salazar/Caetano E lembrado pelos filhotes de Salazar/Caetano. Eles sim, Portugueses de alto gabarito ! Mas, ao contrário de Salazar/Caetano, pouco dados ao estudo. E à reflexão. E ao contraditório. Porque estudar e argumentar sem frases feitas ou bafos de café-taberna custa e cansa. Na razão inversa da inteligência.
























bidonville ou bairro de lata













































guerra colonial portuguesa























carga policial sobre manifestantes na vila (operária) do Barreiro


















CINCO MINUTOS DE PURO ENCANTO... (OSi)

Algum génio pegou na  música "saturday night fever" dos Bee Gees e encaixou em diversos filmes musicais.

Trechos - com Rita Hayworth, Fred Astaire, Gene Kelly e outros, dançando perfeitamente num ritmo alucinante. 

E a Rita lindíssima, lembrando a sua personagem no filme GILDA de 1946 com Glen Ford faz jus ao slogan da saudosa época - "Nunca houve uma mulher como Gilda".

Uma montagem incrivel de"Saturday night fever" des Bee Gees !!!!


2 de outubro de 2012

AULA PRÁTICA DE DIREITO - VALE A PENA LER!...

Uma manhã, quando o nosso novo professor de “Introdução ao Direito” entrou na sala, a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:

- Como te chamas?

- Chamo-me João, senhor.

- Saia da minha aula e não quero que volte nunca mais ! - gritou o desagradável professor.

João estava desconcertado. Quando recuperou, levantou-se rapidamente, recolheu as suas coisas e saiu da sala. Estávamos assustados e indignados, mas ninguém disse nada.

- Agora sim ! - perguntou o professor - para que servem as leis ?...

Assustados, pouco a pouco, começamos a responder à sua pergunta:

- Para que haja uma ordem na sociedade.

- Não ! - respondia o professor.

- Para cumpri-las.

- Não !

- Para que as pessoas paguem pelos seus actos.

- Não ! Será que ninguém sabe responder a esta pergunta ?

- Para que haja justiça - disse timidamente uma garota.

- Até que enfim ! É isso... para que haja justiça. E agora... digam-me, para que serve a justiça ?

Começávamos a ficar incomodados pela atitude grosseira do professor, mas lá íamos respondendo:

- Para salvaguardar os direitos humanos...

- Bem, que mais? - perguntava o professor.

- Para diferenciar o certo do errado... Para premiar quem faz o bem...

- Ok, não está mal, porém... mas, respondam a esta pergunta: agi correctamente ao expulsar o João da sala de aula? ...

Ficámos todos calados.

- Quero uma resposta decidida e unânime !

- Não ! - respondemos todos a uma só voz.

- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça ?

- Siiiim !

- E por que é que ninguém fez nada a respeito disso? Para que queremos leis, e regras, se não dispomos da vontade necessária para as praticar ? Todos e cada um de vós tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais ! - Vá chamar o João - disse, olhando-me fixamente.

Naquele dia recebi a lição mais prática no meu curso de Direito.

Quando não defendemos os nossos direitos, perdemos a dignidade.

 E A DIGNIDADE NÃO SE NEGOCEIA.

1 de outubro de 2012

Um recado para uma hora que, possivelmente, se aproxima a passos largos


NÃO faça nas URNAS o que costuma fazer na sanita, pois na sanita você faz a descarga e não vê mais, mas nas urnas você leva 4 anos a ver a merda que fez.

Avaliação da sua casa...


Mais do crápula

O crápula sabujo Mário Crespo escreveu achando que a cunha do seu amigo Miguel Relvas seria seguríssima, como foi rejeitado o seu veneno manifesta-se todas as noites denegrindo a imagem da RTP informando milhões de custo e/ou prejuizo (não é verdade, pois este ano dará lucro) e depois despede-se imitando o filme do Geoge Clooney "Good Night and Good Luck"...ridículo,  vejam: