
Manuel da Fonseca e a caridadezinha tão em voga ao longo de todos os tempos.
Dona Abastança
«A caridade é amor»
Proclama dona Abastança
Esposa do comendador
Senhor da alta finança.
Família necessitada
A boa senhora acode
Pouco a uns a outros nada
«Dar a todos não se pode.»
Já se deixa ver
Que não pode ser
Quem
O que tem
Dá a pedir vem.
O bem da bolsa lhes sai
E sai caro fazer o bem
Ela dá ele subtrai
Fazem como lhes convém
Ela aos pobres dá uns cobres
Ele incansável lá vai
Com o que tira a quem não tem
Fazendo mais e mais pobres.
Já se deixa ver
Que não pode ser
Dar
Sem ter
E ter sem tirar.
Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem-fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado.
Oh engano sempre novo
De tão estranha caridade
Feita com dinheiro do povo
Ao povo desta cidade.
Manuel da Fonseca
2 comentários:
Nosso querido e saudoso
Manuel da Fonseca
com quem privei tantos caminhos
Se houvesse justiça social não haveria quem estendesse a mão à caridade.
E quem provoca ou participa da injustiça, vem muitas vezes vestido de bom samaritano com essa caridade de elites que é aviltante por tudo aquilo que encerra.
Belo poema de Manuel da Fonseca.
Abraço
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