4 de junho de 2013

Mas afinal quem ganha e o quê?

Resolução do Conselho de Ministros nº 35/2013 de 03-06-2013

       O Centro de Atendimento do Serviço Nacional de Saúde, em funcionamento desde 2007, tem-se revelado um importante instrumento de apoio na prestação de cuidados de saúde, permitindo ampliar e melhorar a acessibilidade aos serviços de saúde e racionalizar a utilização dos recursos existentes, materiais e humanos, disciplinando a orientação de utentes no acesso aos serviços, bem como aumentar a eficácia e eficiência do sector público da saúde através do encaminhamento dos utentes para as instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde mais adequadas.
       A Resolução do Conselho de Ministros n.º 37/2011, de 30 de agosto, autorizou a despesa e o recurso ao procedimento pré-contratual de concurso limitado por prévia qualificação, com publicação no Jornal Oficial da União Europeia, com vista à celebração de um contrato de prestação de serviços para a exploração do Centro de Atendimento do Serviço Nacional de Saúde, bem como a repartição de encargos por anos económicos, abandonando, assim, o modelo anterior sujeito ao regime das parcerias público-privadas.
       Tendo em consideração o interesse público subjacente à continuidade do funcionamento do Centro de Atendimento do Serviço Nacional de Saúde, aquela resolução do Conselho de Ministros autorizou, ainda, a prorrogação do contrato relativo ao referido centro, no montante de 9535174,00 EUR, a que acresce IVA à taxa legal em vigor, até à conclusão do procedimento pré-contratual autorizado pela mesma resolução.
       A Resolução do Conselho de Ministros n.º111-C/2012, de 28 de dezembro, autorizou a despesa inerente à prorrogação do contrato do Centro de Atendimento do Serviço Nacional de Saúde desde 1 de julho de 2012, no montante máximo de 5 610 248,00 EUR, dado que o contrato celebrado na sequência do procedimento autorizado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 37/2011, de 30 de agosto, se encontrava, ainda, pendente no Tribunal de Contas para efeitos de fiscalização prévia.
       Tendo presente que o Tribunal de Contas notificou o Ministério da Saúde do acórdão que recusou o visto ao contrato de prestação de serviços para a exploração do Centro de Atendimento do Serviço Nacional de Saúde, torna-se urgente dar início a um novo procedimento concursal e autorizar a respetiva despesa.
       A presente resolução autoriza, ainda, a realização da despesa inerente ao funcionamento do Centro de Atendimento do Serviço Nacional de Saúde até ao início da vigência do novo contrato a celebrar na sequência do procedimento concursal que agora se autoriza.
       Assim:
       Nos termos da alínea e) do n.º 1 do artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 197/99, de 8 de junho, do artigo 109.º do Código dos Contratos Públicos, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 18/2008, de 29 de janeiro, e da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
 Autorizar, nos termos da alínea e) do n.º 1 do artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 197/99, de 8 de junho, a realização da despesa com a aquisição dos serviços para a exploração do Centro de Atendimento do Serviço Nacional de Saúde no montante até 13 846 837,00, EUR, a que acresce IVA à taxa legal em vigor.
Início de Vigência: 08-06-2013

Jovem esposa desesperada

- Ah, doutor, não suporto mais. Apesar de todos os meus esforços, meu marido não me dá a menor bola. Desde que nos casamos, só fala na mãe, na mãe, na mãe. É como se eu não existisse.

- Já experimentou preparar um jantar especial?


- Já! E não adiantou, disse que a comida da mãe era melhor que a minha!

- Ouça, se há um domínio onde sua sogra não pode rivalizar é na cama. Esta noite, vista um baby doll preto e calcinha preta. A cor preta é muito sexy e muito excitante. Incluindo uma cinta-liga negra também. Ele não vai resistir!

Sara seguiu o plano à risca e, de facto, nunca se vira tão sexy.


O Jàcó chega a casa, arregala os olhos e diz:

- Sarahhhhh, você está toda de preto... Aconteceu alguma coisa à minha mãe? 

3 de junho de 2013

AS RESPOSTAS ÀS DÚVIDAS DOS PROFESSORES

A PROPÓSITO DAS GREVES CONVOCADAS PARA OS DIAS
7, 11, 12, 13, 14 E 17 DE JUNHO DE 2013

AS RESPOSTAS ÀS DÚVIDAS DOS PROFESSORES


§  Que tipo de greve é esta?
Na verdade não se trata de uma greve mas de várias. Teremos as greves de dias 7, 11, 12, 13 e 14 de Junho que são Greves Nacionais de Professores do Ensino Básico e Secundário, com incidência no serviço de avaliações dos alunos. A sua marcação com um pré-aviso de greve para cada dia pretende permitir que os professores adiram à greve apenas no período destinado ao serviço de avaliações.
A greve de dia 17 de Junho é uma Greve Geral de Educadores de Infância, dos Professores dos Ensinos Básico, Secundário e Superior e dos Investigadores Científicos.

§  Por que é importante haver um pré-aviso para cada dia?
Porque, desse modo, para além do já referido antes, os professores poderão aderir à greve num dia, não aderir no seguinte e voltar a aderir no terceiro ou no quarto. Já em relação ao dia 17, o apelo é a adesão de todos os educadores, professores e investigadores.

§  E durante um dia de greve é possível a um docente ir trabalhar durante um período fazendo greve noutro período?
Sim, é possível. Um professor pode, por exemplo, desempenhar determinada tarefa de manhã e aderir à greve de tarde. O que não pode é estar ao serviço, fazer de seguida greve e apresentar-se de novo ao serviço no mesmo dia, nem o contrário, isto é, estar em greve, apresentar-se de seguida ao serviço e voltar de novo a entrar em greve no mesmo dia.

§  Um professor que, nas greves de dias 7, 11, 12, 13 e 14 (com incidência no serviço de avaliações) adira à greve, qual o desconto que lhe é feito no salário?
Apenas o proporcional às horas a que faz greve. O facto de o artigo 94.º do ECD considerar a falta a reuniões de avaliação sumativa dos alunos como falta a um dia, a adesão à greve não configura uma falta, pois “a greve suspende o contrato de trabalho de trabalhador aderente, incluindo o direito à retribuição e os deveres de subordinação e assiduidade” (artigo 536.º do Código do Trabalho). Ou seja, estando suspenso o dever de assiduidade, em caso de greve não há lugar à marcação de falta, pois o trabalhador tem suspensa a sua relação laboral com a entidade patronal. Assim, tendo o professor trabalhado parte do dia em atividade letiva ou outra não relacionada com as avaliações, essa atividade terá de lhe ser paga. Isto é, apenas lhe será deduzido o valor correspondente às horas em que aderiu à greve.

§  O que significam os serviços mínimos?
Os serviços mínimos são aqueles que, durante a greve, devem ser assegurados para garantir o funcionamento dos órgãos ou serviços que se destinem à satisfação de necessidades sociais impreteríveis (artigo 355º do Regime e Contrato de Trabalho em Funções Públicas (RCTFP), anexo à Lei n.º 59/2008, de 11 de setembro).

§  Na educação há serviços mínimos?
A educação não consta da lista de órgãos ou serviços sujeitos a serviços mínimos contida no nº 2 do artigo referido no ponto anterior.

§  Por que razão vem o MEC exigir que os sindicatos definam serviços mínimos?
Existe um acórdão do Tribunal Constitucional (que não é lei!), datado de 2007, que entende que a realização de exames configura uma necessidade social impreterível.
Contudo, esse acórdão do TC não se refere à Educação como uma atividade passível de exigência de serviços mínimos e apenas se pronuncia sobre a questão da realização de exames.

§  Poderá o MEC, com base nesse acórdão, definir serviços mínimos?
Não! Os sindicatos contestam, logo à partida, a necessidade de serviços mínimos por considerarem que esse não é o espírito da Lei (artigo 399º do já referido RCTFP). Por outro lado, mesmo que se considerasse a legalidade da existência de serviços mínimos, a posição agora assumida pelo MEC é manifestamente contrária ao que a Lei estipula, relativamente à forma como se processa a definição desses serviços.
Segundo o artigo 400º, nº 2, do mesmo RCTFP, há trâmites que têm necessariamente de ser cumpridos na definição dos serviços mínimos: após receber o Pré-Aviso de Greve, o MEC tem 24 horas para o comunicar à DGAEP / Ministério das Finanças. Compete depois ao Secretário de Estado da Administração Pública desenvolver uma tentativa de acordo entre Sindicatos e MEC e, na sua ausência, ao fim do 3.º dia, requerer a intervenção de um colégio arbitral.
É este colégio arbitral que poderá decidir da existência ou não de serviços mínimos. Se decidir pela existência, só ele poderá estabelecer a sua dimensão.
Sublinha-se, pois, que estes procedimentos são desencadeados pelo membro do Governo responsável pela área da Administração Pública, pelo que o procedimento que o MEC tornou público na sexta-feira dia 24 de maio de 2013, a concretizar-se, seria completamente ilegal, pelo que os sindicatos recorreriam aos tribunais para travar esse procedimento.

§  Estes serviços mínimos que o MEC pretendia impor só se referem à greve de dia 17?
Sim. O MEC quer reportar-se ao acórdão anteriormente referido. Sublinha-se, mais uma vez, que um acórdão não faz lei; um Tribunal pode hoje decidir de forma diferente. E, independentemente disso, só o colégio arbitral antes referido pode decidir nesta matéria, nunca o MEC ou qualquer outro membro do governo.

§  Se houver serviços mínimos, os professores são impedidos de fazer greve?
Não! Havendo serviços mínimos, a designação, em concreto, dos trabalhadores necessários para os cumprir deverá ser feita até 24 horas antes do início do período de greve (artigo 400.º, n.º 5, do regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas (RCTFP), anexo à lei n.º 59/2008, de 11 de setembro). Se essa designação não for feita pelos Sindicatos (os Sindicatos não o farão), compete ao MEC fazê-lo, dentro dos limites estabelecidos pelo colégio arbitral.

§  Nas greves às avaliações, quantos professores terão de estar em falta no Conselho de Turma para a reunião não se realizar?
Sobre a avaliação de alunos dispõem os artigos 8.º, 14.º e 15.º do Despacho Normativo 24-A/2012 (1.º, 2.º e 3.º ciclos) e o artigo 19.º da Portaria 243/2012, de 10 de agosto (Ensino Secundário). De acordo com o que estabelecem aqueles quadros legais, a lei prevê que o Conselho de Turma seja adiado caso se verifique a ausência de um dos seus membros por motivos imprevistos e que não sejam de longa duração.

§  A adesão à greve constitui um motivo imprevisto?
Sim, a adesão à greve constitui um motivo imprevisto, pois é ilegal efetuar qualquer levantamento prévio sobre a eventual adesão de um trabalhador, podendo este tomar essa decisão apenas no momento em que iniciaria a atividade. Deverá, após se constatar a não realização da reunião, ser convocada nova reunião no prazo de 48 horas.

§  As direções dos agrupamentos/escolas não agrupadas poderão exigir a entrega antecipada das classificações atribuídas aos alunos?
Não. O facto de ser solicitada essa informação não obriga os docentes a fornecê-la, visto não existir qualquer disposição legal nesse sentido. No contexto de luta que estamos a viver, o professor deverá reservar a atribuição das classificações aos alunos para os momentos de reunião.

§  As direcções dos agrupamentos/escolas não agrupadas podem antecipar as reuniões de avaliação?
A lei estipula que a avaliação de alunos se processa após o termo das atividades letivas. Deste modo, não se afigura possível antecipar uma reunião, nem muito menos fazê-lo e preencher documentos com data posterior, pois tal configuraria um crime de falsificação de documento, punível pelo Código Penal. Ver, a este propósito, esclarecimento específico.

§  Poderão ser marcadas reuniões para sábado ou domingo?
Não! O domingo é, nos termos da lei, dia de descanso e o sábado é dia suplementar de descanso, pelo que só excecionalmente seria possível marcar serviço para esses dias. Há ainda outro impedimento legal à marcação de reuniões para esse dia: o artigo 76.º, n.º 2 do ECD refere que “O horário semanal dos docentes integra uma componente letiva e uma componente não letiva e desenvolve-se em cinco dias de trabalho”.


28.05.2013

As organizações sindicais de professores

Carlos Abreu Amorim


Carlos Abreu Amorim, maçon da loja regular e candidato do PSD à Câmara de Gaia, encheu a barriga de atenção mediática nos últimos dias, mas pelos piores motivos. Entre provocações clubísticas a roçar a xenofobia, conseguiu irritar meio Portugal.
Mas quem é, afinal, esta incontornável figura da política portuguesa?

Na nossa opinião, mais uma vez, o futebol desviou as atenções do assunto que está verdadeiramente e...m causa, que é bem mais sério do que os resultados de uma competição desportiva.

Carlos Abreu Amorim é um homem que, evidentemente, gosta de tachos. Não só dos que servem de utensílios culinários, mas também dos proverbiais tachos de que políticos solícitos se servem para conseguir progresso na carreira.

Este verdadeiro político de peso, intimamente ligado à maçonaria portuguesa, já saltitou por quase todas as cadeiras que encontrou na Direita portuguesa.
Encostado à extrema-Direita, tentou fundar um partido seu, mas a coisa não correu bem. Depois, esteve no PND de Manuel Monteiro, mas isso não parecia satisfazer-lhe o apetite.
Abreu Amorim rebolou, então, até ao CDS-PP, mas esse tacho ainda não era suficientemente grande para encher-lhe a barriga.
O banquete que Abreu Amorim procurava foi encontrado no PSD, onde se tornou vice-presidente da bancada parlamentar do partido laranja.

Nos primeiros tempos da governação da coligação PSD/CSD-PP, Amorim tecia incansáveis elogios aos seus colegas parlamentares. Afinal, rodeado de amigos em ambos os partidos da coligação, Amorim ter-se-á sentido como peixe na água.

Nos últimos tempos, e após ver os resultados das sondagens de popularidade dos partidos, este enorme peixe parece já querer, mais uma vez, nadar para outras águas.
Apesar de já ter sido grande defensor do Ministro das Finanças, Amorim mudou radicalmente o seu discurso e, há poucas semanas, disse que "o tempo político de Vítor Gaspar terminou", colocando-se ao lado da esmagadora maioria dos portugueses que não podem ver Gaspar nem pintado de ouro.

Por que terá Amorim mudado tão radicalmente de opinião em relação ao seu Ministro das Finanças? Para nós, é óbvio: Amorim não quer arrastar o pesado fardo da impopularidade deste Governo durante a corrida para as Autárquicas. 
Se Amorim já tem dificuldades para correr, com fardos às costas é que o homem não se desenrascará, certamente.

Os homens do PSD é que não gostaram da mudança de opinião de Amorim e já disseram que as declarações relativas a Gaspar foram irresponsáveis, irreflectidas e coiso e tal.

Não obstante, o pesado maçon, de convicções políticas tão voláteis quanto o seu apetite, continua na corrida para a Câmara de Gaia. Segundo consta, até está bem posicionado nessa corrida.

Portanto: entre maçonaria, extema-Direita, trocas de cadeiras e política de vira-casacas, qual foi a atitude deste senhor que indignou meio país? Para nosso enorme espanto, foi uma provocação futebolística.
Infeliz, infantil, sim, mas não passa de uma provocação futebolística. 

O país está a arder, o povo está a ser saqueado, mas a indignação em função do futebol é sempre mais sonora.
Será necessário chamar o papa para exorcizar-nos do futebol?

Strip interrompido...


2 de junho de 2013

Queremos Suzuky no governo!...

O menino japonês

No primeiro dia de aulas, numa escola secundária dos EUA, a professora
apresentou aos alunos um novo colega, Sakiro Suzuki, vindo do Japão.

A aula começa e a professora diz:
Vamos ver quem conhece a história americana.

Quem disse: 'Dê-me a liberdade ou a morte?'

Silêncio total na sala.   Apenas Suzuki levanta a mão: - 'Patrick
Henry em 1775, em Filadélfia'.

Muito bem, Suzuki.  E quem disse: -'O Estado é o povo, e o povo não
pode afundar-se?'

Suzuki: - 'Abraham Lincoln, em 1863, em Washington'.

A professora olha os alunos e diz:

- 'Não têm vergonha? Suzuki é japonês e sabe mais sobre a história
americana do que vocês!'
Então, ouve-se uma voz baixinha, lá ao fundo: - 'Japonês filho da puta!'

- 'Quem foi?' - grita a professora
Suzuki levanta a mão e, sem esperar, responde:
- 'General McArthur, em 1941, em Pearl Halbour'.

A turma fica super silenciosa... apenas se ouve do fundo da sala:
- 'Acho  que vou vomitar'.
A professora grita: - 'Quem foi?'.  E Suzuki: - 'George Bush Pai, ao
Primeiro-Ministro Tanaka, durante um almoço em Tóquio, em 1991'.

Um dos alunos diz: - 'Chupa o meu pau!'

E a professora, irritada: -'Acabou-se! Quem foi agora?'
E Suzuki, sem hesitações: - 'Bill Clinton a Mónica Lewinsky, na Sala
Oval da Casa Branca, em Washington, em 1997'.

E outro aluno diz ao fundo: - 'Suzuki de merda!'
E Suzuki responde: - 'Valentino Rossi, no Grande Prémio do Brasil de
Moto GP, no Rio de Janeiro, em 2002'.

A turma fica histérica, a professora desmaia, a porta abre-se e entra
o director, que diz: -'Que merda é esta? Nunca vi uma confusão deste
tamanho!

E Suzuki, bem alto: -'Nuno Crato para Miguel Relvas, em 2012, após
ter recebido o relatório da inspecção feita à Universidade
Lusófona ...

Herança Imperial Portuguesa

A longa duração do fenómeno da escravatura, de uma extrema violência, se põe em evidência a crueldade dos homens, deu origem a diversos lugares de memória, como monumentos, topónimos, etnónimos, contos, lendas, mitos. 

memória colectiva recicla constantemente esse tecido fundador.

Este Guia, consagrado ao reconhecimento dos sítios de memória dos países de África que falam a língua portuguesa, pretende identificar, inventariar, cartografar, dar a conhecer e estudar os muitos «lugares de memória» da escravatura e do tráfico negreiro: os que podem ser vistos e tocados, sem esquecer aqueles que graças à tradição oral reactualizam o processo criador.



A Servidão Moderna

A servidão moderna é um livro e um documentário de 52 minutos produzidos de maneira completamente independente; o livro (e o DVD contido) é distribuído gratuitamente em certos lugares alternativos na França e na América latina. O texto foi escrito na Jamaica em outubro de 2007 e o documentário foi finalizado na Colômbia em maio de 2009. 

Ele existe nas versões francesa, inglesa e espanhola. O filme foi elaborado a partir de imagens desviadas, essencialmente oriundas de filmes de ficção e de documentários. 


O objetivo principal deste filme é de por em dia a condição do escravo moderno dentro do sistema totalitário mercante e de evidenciar as formas de mistificação que ocultam esta condição subserviente. Ele foi feito com o único objetivo de atacar de frente a organização dominante do mundo.

Pensar a História lembrando Outubro

Aurélio Santos

A interpretação da História, nas suas diferentes focagens, pode dar âncoras para ver no passado não só o que significou na sua época, mas o que para nós ficou como legado. Noventa anos depois da Revolução de Outubro continua oportuno e actual assinalar quanto ela contribuiu para dar sentido universal à emancipação do homem e para concretizar e universalizar os direitos da pessoa humana. 

Adiantando-se à sua época na marcha da História, ela teve traços de modernidade que trouxeram para a experiência concreta questões que, hoje com novos condicionalismos e expressões, continuam em aberto: como reorganizar uma sociedade privilegiadora de uns quantos? como torná-la integradora da grande maioria que a sustenta? 

Com a Revolução de Outubro a Humanidade deu um grande passo no caminho para pôr fim ao pecado original da sociedade de classes - a exploração do homem pelo homem. 

Iniciando a tentativa de levar à prática os objectivos que o movimento operário de inspiração revolucionária apontava como sua contribuição para o desenvolvimento da sociedade humana, os comunistas russos de 1917 confirmaram como força social de vanguarda aquele movimento operário anunciado no Manifesto do Partido Comunista como protagonista das grandes transformações revolucionárias da época contemporânea. 

Assim foi. 

O novo tipo de Estado criado com a Revolução de Outubro, o Estado proletário, pôs fim à ditadura política do capital na Rússia de então, ainda largamente conluiado com a aristocracia feudal. E, tal como Marx previra, a chegada ao poder da classe operária e a consolidação da nova forma de organização social de que ela é portadora permitiu abrir novas formas de pensamento político, trouxe novas experiências de organização da produção e do trabalho, novas ideias acerca da correlação entre princípios de classe e princípios comuns à humanidade. 

Sem mesmo referir as fundamentais - aquelas que tornaram propriedade social os principais meios de produção e deram a terra aos camponeses - foquemos apenas algumas que, embora poucas vezes referidas, dizem também respeito aos direitos do ser humano e aos conceitos de democracia. 

Com Outubro foi quebrado o quadro restrito dos Direitos do Homem e do Cidadão, que sendo bandeira libertadora na Revolução francesa ficaram depois petrificados nas malhas da democracia burguesa. 

A democracia ganhou novos conteúdos. Alargou-se aos direitos sociais do homem: o direito ao trabalho, o direito à saúde, o direito ao ensino, o direito à habitação, o direito à protecção social. O Estado proletário não se contentou em proclamar esses direitos. Preocupou-se também em garanti-los. 

O reconhecimento da plena igualdade a toda a população no exercício dos direitos políticos e sociais, foi outra contribuição revolucionária do Outubro proletário para uma concepção universal dos direitos humanos. 

Até então, a democracia liberal dominante nos países capitalistas autodenominados civilizados reduzia-se fundamentalmente ao estatuto jurídico-institucional que entregava a governação e o exercício dos direitos cívicos e políticos a um núcleo restrito de eleitores. Desses direitos, incluindo os eleitorais, estavam excluídos não só o conjunto dos povos colonizados, que na época constituíam a grande maioria da população abrangida pelos Estados capitalistas, como também grande parte da população dos próprios países capita­listas - designadamente as mulheres, os analfabetos, cidadãos de baixos rendimentos. 

No Estado proletário os direitos políticos e sociais foram reconhecidos a toda a população, homens e mulheres, independentemente do seu estatuto social, nível de rendimentos e grau de instrução, passando a abranger também todos os povos e etnias do país. 

Por outro lado, a Revolução de Outubro afirmou a ideia de que o Estado tem responsabilidades na garantia aos cidadãos dos direitos sociais. 

São concepções e realizações que marcam uma viragem histórica na luta pela plena realização e emancipação da pessoa humana e na universalização dos direitos humanos. São ideias que fazem hoje parte da própria concepção de uma democracia avançada. 

A exigência de que o Estado cumpra essas responsabilidades e a luta pelo exercício desses direitos constituem hoje terreno da luta quotidiana de classes. 

A concretização política e prática das concepções revolucionárias do proletariado ultrapassou os seus interesses próprios e confirmou a sua importância como expressão dos interesses de toda a humanidade. 

Os impactos da viragem revolucionária imprimida pela Revolução de Outubro alargaram-se para além dos marcos da sociedade socialista em construção. 

Os reflexos das novas concepções proclamadas e aplicadas com a perspectiva do socialismo, estimularam os trabalhadores nas confrontações sociais nos países capitalistas e deram-lhes maior peso político. Em confronto com a situação das classes trabalhadoras no mundo capitalista, tiveram um peso decisivo nas cedências que o capitalismo foi forçado a fazer na parte do mundo por ele dominada. 

As lutas sociais, políticas e nacional-libertadoras clarificaram os seus objectivos, ad­quiriram um conteúdo superior, ganharam novo vigor e amplitude. As conquistas laborais e sociais ganharam terreno no próprio campo do capitalismo, principalmente após a derrota da versão nazi-fascista de imperialismo na II Guerra Mundial e da contribuição da URSS para essa derrota. 

A força material, social e política do Estado criado pela Revolução de Outubro, além da contribuição decisiva que deu à derrota da máquina de guerra do nazi-fascismo, barrando caminho ao retrocesso da barbárie, permitiu durante uma importante época histórica a contenção do imperialismo. Tornou possível a liquidação do colonialismo e as grandes alterações registadas no panorama mundial no século XX. 

Dentro das condições da democracia burguesa, as classes trabalhadoras foram alcançando e defendendo importantes conquistas políticas e sociais. 

A evolução na luta de classes, à escala nacional e internacional, levou o Estado capitalista a assumir funções sociais que, ao arrepio da sua natureza de classe, lhe foram impostas pelas classes trabalhadoras sob a forma de luta política. 

A democracia, na consciência de largas massas, ganhou assim também um conteúdo social, e além de terreno da luta de classes passou a ser uma arma dos trabalhadores nessa luta. O que não significa que o capital tenha renunciado à sua dominação, tenha abandonado espontaneamente as funções económicas e políticas da sua dominação nas democracias burguesas, cobrindo-as com os véus ideológicos com que oculta a sua natureza. 

Experiência de valor universal da Revolução de Outubro foi também a acção de um partido com um projecto revolucionário de sociedade, com uma prática claramente assumida de partido de classe, independente, unido, estreitamente ligado às massas trabalhadoras e populares, capaz de as organizar, mobilizar e dirigir, ganhando o seu apoio para a luta revolucionária. 

Lénine foi o inspirador e dirigente desse partido de novo tipo e deu uma contribuição decisiva para a definição do novo tipo de Estado e de sociedade que à revolução se propôs levar à prática. A sua contribuição para o desenvolvimento do marxismo justifica que os comunistas de todo o mundo tenham passado a designar como marxismo­-leninismo a teoria revolucionária da época do imperialismo e das revoluções socialistas. 

A construção do socialismo revelou-se todavia mais difícil e complexa do que esperavam Marx e Lénine. Causas internas e externas, erros graves, desvios e perversões, práticas políticas e formas de exercício do poder que falsearam o ideal comunista, um «modelo» que se afastou do projecto de construção do socialismo, levaram à derrocada da URSS e dos regimes socialistas no Leste da Europa. 

Mas os erros, insucessos, derrotas e desvios sofridos no processo humano para a realização do projecto revolucionário de Outubro não podem fazer esquecer os muitos êxitos económicos, sociais e culturais alcançados, nem o seu legado de profundas mudanças na consciência social. 

Fazer a análise e a crítica das causas que levaram nos anos 80 à derrota da primeira experiência histórica de construção do socialismo à escala mundial não é ceder às pressões dos inimigos do socialismo que procuram denegrir, caluniar, destruir tudo o que em nome do socialismo se fez e faz. 

Os objectivos dessa campanha são fomentar a resignação ante as ofensivas da recuperação capitalista e imperialista, intimidar os defensores do socialismo, apagar a esperança. 

Não pode ser descurada a necessidade de estudar e aprofundar as condições e causas do colapso dessas experiências de construção do socialismo, nem os erros e desvios do modelo em que se apoiaram. Designadamente quanto a questões como o papel da democracia e sua ligação ao socialismo, quanto às formas e condições do exercício do poder, quanto à participação dos trabalhadores e das massas populares no processo, quanto ao papel e função de um partido revolucionário numa sociedade em transição para o socialismo. Mas a essa análise temos também de juntar outros aspectos que a experiência hoje disponível já nos impõe: a dos efeitos e conteúdo da contra-revolução capitalista nesses países e da evolução dos partidos comunistas que confundiram renovação com mudança de identidade e de natureza. 

A experiência comprova o erro de ceder às pressões que procuram denegrir, caluniar, destruir, tudo o que em nome do comunismo se fez e faz. Não só por justiça histórica, é inaceitável que se denigra o papel decisivo para o progresso da sociedade humana que a Revolução de Outubro, a URSS e os comunistas tiveram nos avanços revolucionários e civilizacionais do nosso tempo. 

O papel da União Soviética na história da nossa época é confirmado pela actual ofensiva que o capitalismo está a desencadear, aproveitando a favorável correlação de forças para recuperar terreno, intensificar a exploração e procurar em muitos casos, em nome da «modernidade», voltar a impor condições idênticas às do princípio do século XX. 

Ou seja: antes da Revolução de Outubro... 

Como Outubro continua actual! 

Com a perda da URSS foi quebrada uma correlação que mantinha em contenção as forças mais agressivas e as formas mais brutais do capitalismo. Desembaraçado da alternativa representada pelo campo socialista, o capitalismo desencadeou à escala mundial uma violenta ofensiva para fazer voltar atrás a marcha da História. 

Intensifica a exploração dos trabalhadores e a espoliação dos povos. Proclama e impõe as suas leis como horizonte inultrapassável e incontestável não só da vida económica como no conjunto da actividade humana. 

Nos próprios países capitalistas mais desenvolvidos os modelos económicos e sociais são reestruturados em detrimento dos trabalhadores. As estruturas de controlo da economia e de protecção social, conquistadas com a luta, são desarticuladas. 

As democracias burguesas confirmam-se como uma das formas de Estado com que o capital assegura a sua dominação política e económica. Como terreno da luta de classes reflectem a correlação de forças de classe no país e no plano internacional e, por isso mesmo, são um regime instável em que a classe dominante espreita todas as eventuais deslocações na correlação de forças para pôr em causa os espaços conquistados pelas classes dominadas. 

Para o retrocesso do processo histórico contribui pesadamente a dependência de muitos trabalhadores, principalmente nos países de capitalismo desenvolvido, em relação aos partidos capitalistas e social-democratas, a subordinação da social-democracia às posições e dogmas do capitalismo, inclusive na sua versão neoliberal, bem como os preconceitos anticomunistas em muitas forças de esquerda. 

Não podem subestimar-se também concepções ideológicas, orientações políticas, linhas programáticas e organizativas, formas e estilos de trabalho político e sindical que, abandonando os fundamentos, experiências e património da luta revolucionária, ou não tendo em conta as condições objectivas, retiram às classes trabalhadoras, às forças progressistas e revolucionárias, como a experiência tem comprovado, o seu papel de protagonistas da história. 

Os comunistas portugueses nunca negaram a solidariedade aos povos que tiveram a audácia de romper a dominação mundial do capitalismo. 

Quem não tenha em conta o papel da Revolução de Outubro e da URSS para a luta revolucionária mundial não pode compreender o desenvolvimento do processo histórico da sociedade humana, com os seus avanços e recuos. 

Não temos uma concepção determinista da História. Não ficamos parados à espera que mudem «os ventos da História». 

Como disse Marx, a História não faz nada, não participa em nenhuma batalha; são os homens, com a sua acção e a sua luta que dão base material às transformações da História. 

Assim fizeram os revolucionários que em 1917 ousaram lançar-se na luta por um projecto capaz de abrir novos horizontes ao futuro da humanidade. 

Nesse projecto, renovado e actualizado à luz das experiências positivas e negativas hoje disponíveis, encontramos elementos indispensáveis para responder às necessidades do nosso tempo. E para mobilizar as energias humanas capazes de fazer o mundo retomar o caminho da História. 

No Militante nº 289 de Julho/Agosto de 2007

A Comuna de Paris e a actualidade

Aurélio Santos

No âmbito de um debate sobre a actualidade da Comuna de Paris[1] vale a pena arriscar algumas reflexões, como forma de contribuição para o necessário debate colectivo, acerca de algumas questões fulcrais para a luta pela superação revolucionária do capitalismo e o início da construção de uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem: objectivo primeiro do ideal comunista.




MANIFESTO PARTIDO COMUNISTA Karl Marx, Friederich Engels

Para aqueles que vivem sem tomar partido;

Para aqueles que a sua consciencialização, ainda, não lhes deu a hipótese de pensarem por eles próprios;

Para aqueles que têm sempre como objectivo dominar o mais fraco, para que o mais forte não se lembre de o dominar a ele...

Aconselho esta leitura... 



1 de junho de 2013

Estão a ver o que vocês "arranjaram" ao votar neles???!!

Agora os funcionários públicos... mas que ninguém pense que está a salvo... um país que se afunda até à indignidade e indigência absoluta e sem volta do seu povo.
Quando uma cambada de malfeitores, de gentes sem escrúpulos/ sem ética/ sem moral e sem vergonha se apodera do estado e este deixa de ser um Estado de lei e de direito, deixa de ser um Estado de bem, deixa de ser um Estado de palavra, deixa de ser um Estado de compromissos para com os seus cidadãos...
Ontem foram uns, hoje são outros, amanhã outros mais se seguirão

Lisboa precisa que o todo país marche sobre ela...

Existe trabalho e muito, o que está em causa é entregar tudo aos privados e o povo paga os serviços e os lucros dos accionistas...

Querem destruir os serviços públicos, e o que representa o Estado Social




30 de maio de 2013

Conversa desta manhã no Palácio de Belém

Conversa no Palácio de Belém
 
Maria - Oh Aníbal, já leste os jornais?
 
 Aníbal - Li.
 
 Maria - Leste a entrevista ao Sousa Tavares?
 
 Aníbal - Oh Maria o Sousa Tavares já morreu.
 
 Maria - O filho...!
 
 Aníbal - Mas o nosso filho deu uma entrevista?
 
 Maria - Não! O filho do Sousa Tavares que morreu.
 
 Aníbal - Morreu o filho do Sousa Tavares???? Temos que mandar flores.
 
 Maria - F..... Aníbal, Vê se me entendes: O Miguel Sousa Tavares, filho do Sousa Tavares que morreu, deu uma entrevista!!!
 
 Aníbal - Ah!!! Aquele que é jornalista!!
 
 Maria - Sim e advogado.
 
 Aníbal - Nunca gostei de advogados... e muito menos de jornalistas. Desse Sousa Tavares não se aproveita nada!
 
 Maria - Sim ok! Foi esse que deu a entrevista.
 
 Aníbal - É interessante a Entrevista?
 
 Maria - Então tu não leste?
 
 Aníbal- Ando aqui às voltas com jornal que deve ser de ontem.
 
 Maria - Qual jornal?
 
 Aníbal - O Tal e Qual.
 
 Maria - Mas esse jornal fechou há uma série de anos...
 
 Aníbal - Foi? Bem que me estava a parecer estranho o Joaquim Letra estar tão bem conservado...
 
 Maria - Não há paciência Aníba! Presta atenção. O Sousa Tavares chamou-te palhaço!
 
 Aníbal - Foi? Que mal educado.
 
 Maria - É so isso que tens para dizer? Não vais fazer nada?
 
 Aníbal - Vou! Tenho o número de casa do pai. Vou lhe dizer para ver se põe o filho na ordem....
 
 Maria - Mas o Sousa Tavares já morreu.
 
 Aníbal - Mau Mau! Então como é que deu a entrevista?
 
 Maria - Puta que pariu esta merda. Para o que estava guardada...
 
 Aníbal - Não precisas de te chatear. Se não conseguimos falar com o pai, falamos com a mãe... Conhece-la?
 
 Maria - Oh Anibal desce a terra. A mãe morreu há montes de anos!
 
 Aníbal - Não estava a falar da tua mãe!
 
 Maria - Nem eu! Estava a falar da mãe do Sousa Tavares, da Sophia de Mello Breyner.
 
 Aníbal - Sim. Essa mesmo. temos o número?
 
 Maria - F...... a mulher morreu!!! Percebes?
 
 Aníbal - Mais flores? Não temos dinheiro para isto...
 
 Maria - Esquece!
 
 Aníbal - Então e um tio dele?
 
 Maria - Um tio???? Qual tio?
 
 Aníbal - Por exemplo, aquele que é actor! O Sr. Contente!
 
 Maria - O Nicolau Breyner?
 
 Aníbal - Esse mesmo. temos o número dele?
 
 Maria - Mas por alma de quem é que vais ligar ao Nicolau Breyner?
 
 Aníbal - Para lhe fazer queixa do sobrinho.
 
 Maria - Mas o Sousa Tavares não é sobrinho do Nicolau Breyner? De onde te saiu essa ideia?
 
 Aníbal - Tem o apelido da mãe, mas foste tu que falaste nele...
 
 Maria - Pois! Tu também tens o mesmo apelido da Ivone Silva e ela não era tua tia, pois não?
 
 Aníbal - Quem é essa? Não estou a ver.
 
 Maria - Não estás ver e não vai ver porque também já morreu.
 
 Aníbal - Mas o que é que se passa hoje? É só mortos!
 
 Maria - E eu devo ir a seguir...
 
 Aníbal - Não digas isso. É pecado.
 

 Maria - Pecado é ter que te aturar meu Palhaço. Ooops!!! Esquece a entrevista! 

A corja...


A proósito da Greve dos professores


«Nem de propósito... Tal Grécia, tal Portugal.

Carta aberta de um estudante liceal grego (Traduzida de "Echte Democratie Jetzt")»:

Aos meus professores... e aos outros:

O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.

Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.

A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual "estaria em causa" devido à greve.*

De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro?

Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:
- Quem construiu o futuro do meu avô?
- Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?
- Quem governou mal e estripou este país?
- Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.
- Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?
- Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?
- Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?
- Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?
- Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?
- Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?
- Quem lançou tanta gente no desemprego?
- Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?
- Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?
Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?
Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.
Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?
Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?
Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas? Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados?

Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia:

Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo.

Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana.

Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte:

Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria?

Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça?

Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões?

Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade?

Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida?

Finalmente, quereis que vivamos como escravos?

De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: "Avançar e derrotar a tirania fascista!"

Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos.


PS: Menciono as minhas notas do ano lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem com o argumento ridículo de que "só quero escapar às aulas": Comportamento do aluno: "Muito Bom". Classificação média: 20 ("Excelente") [a nota mais alta nos liceus gregos].