31 de janeiro de 2013

Greves justas no Metro


Firmeza na luta e mobilização dos utentes
 
Na terceira terça-feira de greve parcial, os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa realizaram ainda um plenário, na Praça Luís de Camões, onde aprovaram uma campanha de esclarecimento dos passageiros.
 
«A adesão foi esmagadora, apesar das diversas tentativas da administração de, a todo o custo, colocar comboios a circular», informava a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, ao fim da manhã de anteontem, dando conta do resultado da greve que requereu, mais uma vez, o encerramento das estações até cerca das 10.30 horas.


A Fectrans/CGTP-IN lembrou que os trabalhadores lutam pela negociação colectiva, que não é respeitada, e pelo cumprimento do Acordo de Empresa, mas também por «uma empresa melhor, com um serviço de qualidade e seguro, onde utentes e trabalhadores sejam respeitados por aqueles que são nomeados para administrar, mas que não andam de transporte público, porque têm grandes privilégios, tais como salários elevados (aumentados recentemente), automóvel, despesas com gasolina para uso de serviço e privado, pagamento de telemóvel, motorista, etc.».


A nota de imprensa retomava assim a resposta que tinha sido dada no dia 23, em carta-aberta de quatro organizações sindicais, à missiva que o presidente do conselho de administração enviou ao pessoal no dia 21, véspera da segunda greve de quatro horas. A resposta foi retomada na moção que anteontem sintetizou as conclusões do plenário, proposta igualmente pelo STRUP (da Fectrans) e pelos sindicatos STTM, Sindem e Sitra.


Depois de referirem o contexto em que travam esta luta, os trabalhadores do Metro recordam que o AE foi livremente acordado (em 2009 e revisto em 2010), entre sindicatos e administração, para valer até ao final de 2015.


Desde Dezembro de 2010, por força dos OE de 2011, 2012 e 2013, os trabalhadores estão a ser roubados (congelamento de carreiras e anuidades, «comparticipação solidária» no OE de 2011, roubo dos subsídios de férias e de Natal, em 2012, mais a brutal carga fiscal em 2013, mas também a retirada do direito a transporte dos trabalhadores no activo e reformados).


Apesar destes cortes, a dívida do Metropolitano continuou a aumentar, destacando os trabalhadores que juros e «engenharias financeiras» (contratos swap) custaram à empresa, em 2012, 400 milhões de euros, o que representa mais do que oito anos de salários de todo o pessoal do Metro.


Na moção, exige-se do Governo «o mesmo respeito pela contratação colectiva que tem mostrado pelos contratos assinados com os especuladores que estão a sangrar o nosso povo».


Os trabalhadores declaram-se dispostos a «participar activamente em todas as formas de luta, pela urgente interrupção desta política, a demissão deste Governo e a devolução ao povo do poder de decisão sobre as opções políticas». As organizações representativas ficaram mandatadas para, com as das demais empresas do sector, «promoverem a mais ampla unidade possível, para uma resposta colectiva à ofensiva em curso».


Ficou decidido «dinamizar uma quinzena de esclarecimento e mobilização dos utentes, trazendo-os mais activamente para uma luta que também é sua».


Encontro dia 6

As organizações de trabalhadores do sector de transportes decidiram realizar um «Encontro de representantes dos trabalhadores dos transportes e reformados», em Lisboa, no dia 6 de Fevereiro.
As comissões de trabalhadores da CP, da EMEF, da Refer, da TAP e da Vimeca; a Fectrans e o SNTSF e STRUP, da CGTP-IN; e os sindicatos Fentcop, SFRCI, Sinafe, Sindem, Sinfa, Sinfb, Siofa, Sitra e STTM, reunidos no dia 23, defenderam «uma resposta conjunta» à actual ofensiva.
Entenderam ser «necessário lançar o debate com todas as estruturas representativas e trabalhadores do sector, no sentido da realização de uma jornada de luta comum e convergente, sem prejuízos das lutas em desenvolvimento ou das dinâmicas em cada empresa».

 

30 de janeiro de 2013

Cão sofre...

Origem e significado de «carapau de corrida»

Ouvi há pouco tempo uma explicação interessante, e não completamente descabida, sobre a origem da expressão «carapau de corrida», que sempre me intrigou!


O peixe é vendido pelos pescadores nas lotas, em leilões «invertidos», ou seja, com os preços a serem rapidamente anunciados por ordem decrescente, até que o comprador interessado o arremate com o tradicional «chiu!». Isto implica que o melhor peixe, e o mais caro, é o que é vendido primeiro, ficando para o fim o de menor qualidade. Em tempos anteriores ao transporte automóvel, as peixeiras menos escrupulosas compravam esse peixe no fim da lota, por um preço baixo, e corriam literalmente até à vila ou cidade, tentanto chegar ao mesmo tempo que as que tinham comprado peixe melhor e mais caro na lota (e tentando vendê-lo, evidentemente, ao mesmo preço que o de melhor qualidade). Nem sempre os fregueses se deixavam enganar, e percebiam que aquele carapau era «carapau de corrida», comprado barato no fim da lota e transportado a correr até à vila. Hoje ainda, o que se arma em carapau de corrida julga-se mais esperto que os outros, mas raramente os consegue enganar.



«Carapau de corrida» é uma expressão usada para descrever uma pessoa convencida, alguém que se julga mais esperto do que os outros. Usa-se normalmente com o verbo armar: «Armar-se em carapau de corrida.» 
«Armar-se em carapau de corrida» significa, precisamente, tentar impressionar os outros com manifestações pueris de exibicionismo fácil, e tem como expressões equivalentes, entre outras, «armar-se aos cágados» e «armar-se ao pingarelho».

Django, um filme de Tarantino a não perder

Luta geral dos transportes

Luta no Metro

29 de janeiro de 2013

Quer que ponha o seu NIF no recibo?


Bandex - Um futuro pior

O PS junta-se ao PSD e ao CDS-PP para não combater os falsos recibos verdes

Portugal está nas meias finais!!!


Metropolitano de Lisboa


Hoje estava a iniciar a minha viagem sossegada e sem percalços no metro (sossegada e descansada, devido a que estando o metro cheio não corremos o risco de cair, temos sempre um corpo para amparar o nosso), e deparo-me com uma informação, afixada na parede, emitida pelos digníssimos “comandantes” do metropolitano.

Por momentos tive um espasmo cerebral, ao imaginar que a digníssima administração do metropolitano estaria a pedir desculpa por ter sistematicamente as escadas rolantes paradas, por avaria ou por opção própria.

Ou que estariam a informar que iam repor, pelo menos, o numero de metropolitanos a circular nas horas de ponte.

Ou que estariam a pedir desculpa pelo preço que cobram pelas viagens. Que iriam diminuir os privilégios que os membros da administração possuem, assim como o valor dos juros que pagam à banca, para aproximarem o preço das viagens de valores mais justos e em conformidade com os vencimentos que os Portugueses usufruem.

Por fim, disse para mim...

Na... eles estão a agradecer aos trabalhadores do metro pelo excelente trabalho que fazem, e que só devido a isso é que o metropolitano funciona e presta um verdadeiro serviço público, exceptuando o preço que custa, aos trabalhadores portugueses, cada viagem e o passe mensal.

De repente o meu espasmo cerebral terminou, e li a informação...

Informação que pedia desculpa aos utentes pelas sucessivas greves que têm afectado o serviço; Greves essas, segundo estes “patrões”, que eram culpa dos sindicatos que com estes actos queriam destruir o excelente serviço que prestam (deviam estar-se a referir ao trabalho dos administradores, pois se querem roubar os trabalhadores é porque eles não merecem o que ganham).

Enfim...

Estes Senhores deviam explicar aos utentes deste serviço público,

porque é que temos idosos, pessoas grávidas e pessoas com crianças ao colo, a subirem dezenas de degraus...

porque temos das viagens mais caras, na Europa...

porque pagam em juros, por volta do triplo do que pagam em salários aos trabalhadores do metro...

porque as sucessivas administrações, nomeadas pelos sucessivos governos PS, PSD e CDS têm gasto milhões em obras, que poderiam ser feitas com milhares...

porque...

Trabalhadores do metropolitano,

por mim podem e devem continuar a vossa luta contra os roubos que vos têm feito, e que querem continuar a fazer...

Por mim,

não me importo de andar a pé, em solidariedade com a vossa luta.
Não vou gastar parte do meu salário, diário, para apanhar um táxi... quando chegar cheguei...

Não liguem àqueles revoltados que falam, falam... e estão sempre dispostos a servirem de capachos aos patrões... que não têm “disponibilidade financeira para fazerem greves”, mas que têm para gastar em táxis para irem trabalhar...

Não liguem...

Pois estamos, como estamos... porque muitos destes apologistas da “critica burrica” votaram e colaboraram para estes sucessivos governos que têm roubado os nossos direitos...

Muitos destes andam de fato e gravata, mas os filhos passam fome por terem pais cobardes, que abdicaram de lutar pelos seus direitos...

Boa luta...
que eu vou entretendo-me a passear na nossa Lisboa, enquanto dirijo-me para o trabalho.

26 de janeiro de 2013

Que significa a palavra comunista?


A União das Juventudes Comunistas só será digna do seu papel de congregar a jovem geração comunista, quando relacione toda a sua instrução, a sua educação e a sua formação com a parte que deve tomar na luta comum de todos os trabalhadores contra os exploradores, porque vocês sabem perfeitamente que enquanto a Rússia for a única república operária e enquanto o resto do mundo subsistir sob o antigo regime burguês, somos mais débeis que eles; que constantemente nos ameaçam novos ataques, que só aprendendo a manter entre nós a coesão e a unidade, triunfaremos nas lutas futuras e, depois de nos termos fortalecido, nos tornaremos verdadeiramente invencíveis. Portanto, ser comunista significa organizar e unir toda a jovem geração, dar exemplos de educação e de disciplina nesta luta. Então, vocês poderão empreender e levar a cabo a edificação da sociedade comunista.
Eis um exemplo que lhes fará entender este problema. Nós chamamo-nos comunistas. Que significa a palavra comunista? “Comunista” provém da palavra latina communis, que significa comum. A sociedade comunista é a comunidade de tudo: da terra, das fábricas, do trabalho. Isto é o comunismo.
Pode existir trabalho comum se os homens explorarem cada um sua própria parcela? A comunidade do trabalho não se cria de repente. É impossível. Não cai do céu. Há que consegui-la após grandes esforços, após grandes sofrimentos, há que criá-la e obtê-la no decurso da luta. Não se trata aqui de um livro velho, ninguém teria acreditado num livro. Trata-se de uma experiência pessoal vivida. Quando Kolchak e Denikine avançavam contra nós, procedentes da Sibéria e do Sul, os camponeses estavam a seu favor. O bolchevismo não lhes agradava, porque os bolcheviques lhes tirava o trigo de acordo com preços estabelecidos. Porém, depois de ter sofrido na Sibéria e na Ucrânia o poder de Kolchak e de Denikine, os camponeses reconheceram que não podiam escolher mais do que entre dois caminhos: ou votar no capitalismo, que os converteria novamente em escravos dos latifundiários, ou seguir os operários que, certamente, não prometiam o ouro e exigiam uma disciplina de ferro e uma firmeza indomável na dura luta, mas que os libertariam da escravidão dos capitalistas e dos latifundiários.
Inclusive, quando os camponeses, submergidos na ignorância, o compreenderam e sentiram pela sua própria experiência depois dessa dura lição, tornaram-se partidários conscientes do comunismo. Essa mesma experiência é aquela que a União das Juventudes Comunistas deve tomar como base de toda a sua atividade.
Com alguns exemplos, extraídos da experiência do trabalho de certas organizações da juventude, gostaria de mostrar-lhe agora, com a máxima clareza, como se deve fazer a educação no comunismo.
Todo o mundo fala da liquidação do analfabetismo. Como sabem, num país de analfabetos é impossível construir uma sociedade comunista. Não é suficiente que as autoridades dos Sovietes transmitam uma ordem, ou que um partido lance uma diretriz, ou que determinado contingente dos melhores militantes se dedique a essa tarefa. É preciso que a jovem geração ponha também mão à obra.
O comunismo consiste em que a juventude, homens e mulheres pertencentes à União das Juventudes Comunistas digam a si próprios: eis o trabalho que devemos realizar; agrupar-nos-emos e iremos a todos os povoados para liquidar o analfabetismo, para que a próxima geração não tenha analfabetos. Aspiramos a que toda a iniciativa da juventude em formação se dedique a esta obra.
Vocês sabem que é impossível transformar rapidamente a Rússia ignorante e iletrada, numa Rússia instruída; mas se a União das Juventudes puser nisso o seu empenho, se toda a juventude trabalhar para o bem-estar de todos, os 400.000 que a compõem terão o direito de se chamar União das Juventudes Comunistas. Outra das suas missões é, após ter assimilado determinados conhecimentos, a de ajudar os jovens que não puderam desembaraçar-se por si próprios das trevas da ignorância.
Ser membro da União das Juventudes Comunistas é colocar o seu trabalho e a sua inteligência a serviço da causa comum. Nisto consiste a educação comunista. Somente por meio deste trabalho um jovem, homem ou mulher, se convertem em verdadeiros comunistas. Só se obtiverem neste trabalho resultados práticos, chegarão a ser comunistas.
(Trechos do discurso proferido por Lênin no III Congresso da União das Juventudes Comunistas da Rússia, em 2 de Outubro de 1920)

Verdadeiro jornalismo

O rapaz que anda a governar Portugal com um livro do seu ídolo. Já estivemos mais perto do seu tempo !!!
O repórter fotográfico Luís Carregã fez publicar na primeira página do diário As Beiras, uma foto que é uma peça de verdadeiro jornalismo.

Nela se vê que Pedro Passos Coelho anda a ler o livro “A diplomacia de Salazar”, em que Bernardo Futscher Pereira evoca a vertente externa da política de outro governante (entre a ascensão do Presidente do Conselho ao cargo, em 1932, e a adesão de Portugal à NATO, volvidos 17 anos). 

O instantâneo captado por Carregã, em Coimbra, corresponde ao que aos manuais definem como autêntica obra de fotojornalismo, na medida em que comporta informação dificilmente alcançável por outra forma. 

A foto mostra Passos Coelho no interior da sua viatura, em cujo banco traseiro sobressai “A diplomacia de Salazar”. Só espero que não venha um(a) qualquer fundamentalista da privacidade do primeiro-ministro alegar que ela foi violada pela perspicácia do repórter.


A triste anedota portuguesa...

Fazendo jus à confiança da maioria dos votantes portugueses e atestando os respectivos superiores critérios de escolha dessa franja - desinteressadamente esclarecida pelos nossos media - Cavaco Silva, continua na senda da elevação, fiel a si próprio. 

Agora, instado a pronunciar-se sobre a desgraça que nos cai em cima - fomentada e iniciada no seu Governo - o nosso homem resolve recorrer à fina ironia: 

"O silêncio é de ouro! E o ouro está muito caro..." 

Com graça alarve lá vomitou o preço do ouro por onça (certamente ainda bem informado pelos "empreendedores" quadros do BPN onde ganhou dinheiro sujo à nossa custa...) e teve o cuidado de explicar, na sua dicção ao jeito do cozinheiro sueco dos "Marretas": 

"... e a onça vale trinta e UMA gramas!" 

Ora toma! 

Depois da ignorância triste de confundir Thomas More com Thomas Mann, de preferir como obra de Mozart o "Amadeus", de se surpreender e comover com o "sorriso das vaquinhas a avançar, a avançar...", de se queixar do miserável rendimento mensal obtido pelo casal de indigentes Aníbal e Maria, da trafulhice da troca da vivenda MARIANI com a dos vizinhos BPN's, o Presidente dos seus orgulhosos votantes não sabe nem tem quem lhe diga que GRAMA é MASCULINO. 

Bendita Pátria, que tão ditosos filhos... 

(é melhor estar calado...)

Os silêncios que ignoramos até que um dia....


Maiakovski, poeta russo escreveu, no início do século XX:

Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. 
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E na oportunidade não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
Maiakovski (1893-1930)

Depois Bertold Brecht escreveu:
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht (1898-1956)


Em 1933 Martin Niemöller criou o seguinte poema:

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar? 
Martin Niemöller,(1892-1984)? símbolo da resistência aos nazistas.


Em 2007 Cláudio Humberto presenteou-nos assim:

Primeiro eles roubaram nos sinais, 
mas não fui eu a vítima, 
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles; 
Depois fecharam ruas, onde não moro; 
Fecharam então o portão da favela, que não habito; 
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho?

Cláudio Humberto,  em 09 Fevereiro de 2007


Também Martin Luther King (1929.1968):

O que mais me preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética? o que mais me preocupa é o silêncio dos bons!.