
14 de fevereiro de 2011
O MEDO CAUSADO PELA INTELIGÊNCIA

2 de fevereiro de 2011
Deolinda - Parva que sou
"Parva que sou" - Deolinda
Música e letra: Pedro da Silva Martins
Sou da geração sem-remuneração
e nem me incomoda esta condição...
Que parva que eu sou...
Porque isto está mau e vai continuar
já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou....
e fico a pensar
que mundo tão parvo
onde para ser escravo
é preciso estudar...
Sou da geração casinha-dos-pais
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou...
Filhos, marido, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou...
e fico a pensar
que mundo tão parvo
onde para ser escravo
é preciso estudar...
Sou da geração vou-queixar-me-pra-quê?
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou...
Sou da geração eu-já-não-posso-mais-Que-esta-situação-dura-há-tempo-de-mais!
e parva eu não sou!!!
e fico a pensar
que mundo tão parvo
onde para ser escravo
é preciso estudar...
19 de janeiro de 2011
Mas será que os trabalhadores não percebem a diferença entre políticas de direita e de esquerda…
Já estou farto de ouvir dizer que não existe diferença entre a direita e a esquerda.A diferença consiste nos valores. Mas também é verdade que existe uma dita esquerda, que de esquerda são só as intenções, quanto ao resto resume-se a politicas de direita.
A isto chama-se socialismo de intenções… e a sede fica no Largo do Rato.
Resumidamente a diferença, é:
Se queremos uma sociedade mais justa, obrigatoriamente percorremos um caminho que nos leva a uma política de esquerda, que assenta numa forma de vida na qual nos preocupamos com quem tem menos do que nós.
Essa preocupação, vai incidir num estado verdadeiramente social no qual deverá existir infra-estruturas que estão habilitadas a “proteger os mais fracos” que hoje serão uns e amanhã poderemos ser nós.
E para existir este tipo de sociedade, a riqueza produzida em determinado pais deve ser distribuída o mais equitativamente possível. Devendo a riqueza produzida servir para evoluir os meios e mecanismos agregados a um determinado estado, que somos todos nós.
O trabalho deverá ter um justo valor, que proporcione ao trabalhador viver a sua vida e ter tempo para a sua família. Resumindo, não deverá ser necessário ter dois e três trabalhos, para sobreviver.
Mas se eu tiver uma postura na qual o que importa é o estatuto social, bons carros, e dinheiro no banco; Obrigatoriamente vou percorrer um caminho que leva a uma política de direita, na qual não me importo com o que o outro tem para comer.
Quero trabalhadores para produzirem a baixo custo, desvalorizando a força do trabalho para eu obter lucros e dinheiro para poder comprar bons carros e boas viagens…
Enquanto isso, defendo o pagamento de um ordenado mínimo ao trabalhador que não chega para pagar o infantário, a casa, a comida… mas isso não me importa, o que me importa é que esse trabalhador apresente-se no dia seguinte para trabalhar. Caso esse trabalhador adoeça, quero ter a facilidade de o poder despedir e não ter encargos com ele, para de seguida contratar outro, pronto a servir-me a baixo custo.
Ao mesmo tempo, como não sou estúpido, pago bem a meia dúzia de trabalhadores (que se julgam importantes, porque pensam ser importantes) para fazerem o trabalho “sujo”.
Mas se existem apoios sociais, como consigo contratar um trabalhador a preço de escravo?
Não consigo, por isso é preciso acabar com os apoios sociais para ter esses escravos disponíveis para serem escravizados, senão quiserem morrem à fome.
Quanto aos que se julgam importantes, quando estiver farto deles dou-lhes uma recompensa e despacho-os; Arranjando outros servidores, para que os escravos pensem que a gora vai ser melhor, pois os “maus” foram-se embora.
Mas como preciso de enganar a minha consciência, faço caridade dando uns trocos a umas instituições e alimentando uns pobrezinhos uma vez por ano. Depois deduzo essas quantias no IRC.
Neste ponto existe um problema, pequeno, todos os anos preciso de encontrar novos pobrezinhos para dar comida, porque os do ano anterior, entretanto, morreram a fome…
Isto é político de direita…
Uns defendem esta política, porque ganham com a exploração…
Outros defendem este tipo de política, porque estão na expectativa de um dia também ganhar com essa exploração…
17 de janeiro de 2011
Professores perdem estatuto especial na Função Pública
DEPOIS DIGAM QUE NÃO SABIAM E QUE OS SINDICATOS ESTÃO A EXAGERARMás notícias da Dr.ª Isabel Alçada...
Professores perdem estatuto especial na Função Pública As desventuras vêm aí...
«Não sei se este Estatuto da Carreira Docente tem pernas para andar, mas os professores têm pernas para voltar a descer a Avenida da Liberdade», alerta Mário Nogueira, depois de receber do Ministério uma proposta «que nunca tinha estado em cima da mesa» e acaba com os quadros de escola e os concursos de docentes
Professores perdem estatuto especial na Função Pública
«Os sorrisos da ministra já não nos enganam». Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof) assume a ruptura total com Isabel Alçada, depois de ter recebido do Ministério da Educação uma proposta de Estatuto da Carreira Docente com aspectos «que nunca foram alvo de negociação».
O fim dos concursos de professores e dos quadros de pessoal, assim como a criação da figura da «cedência por interesse público» constantes no documento enviado aos sindicatos são, para Nogueira, alterações inaceitáveis que o Ministério está a fazer de forma ilegal.
«É ilegal, porque de acordo com a lei 23, o Ministério tem de submeter essas matérias à negociação». Ora, apesar de os sindicatos estarem em negociações com o Governo desde Setembro, estas propostas «nunca foram apresentadas à discussão», sublinha o líder da Fenprof.
Mário Nogueira diz que «neste momento, ainda nem sabemos bem quais as consequências do fim dos quadros de escola e da sua substituição por mapas de pessoal». Mas não tem dúvidas quanto às intenções do Governo nesta matéria: «Vai embaratecer os custos com pessoal e aumentar a precariedade».
Na prática, as novas regras vão fazer com que «os contratados entrem apenas para mapas e não para quadros, ou seja, não façam parte da carreira e, por isso, não sejam abrangidos pelas progressões».
Outra consequência será a instabilidade: «Segundo as regras gerais da Função Pública, os mapas de pessoal são definidos anualmente», recorda Nogueira, alertando para a possibilidade de vir a acontecer o mesmo na Educação.
Mas é ao nível do recrutamento e da mobilidade que as mudanças mais se vão fazer sentir. «Acabam os concursos. Os professores não vão poder concorrer para mudar de escola».
Se quiserem mudar de escola, os docentes «vão ter de recorrer à mobilidade interna, que permite estar noutra escola por períodos renováveis de um ano, até ao máximo de quatro».
«Caso contrário, só vão poder mudar quando e se o Ministério quiser, através de uma coisa chamada cedência de interesse público, que nem sabemos bem o que é», critica.
Concursos, requisições, destacamentos e comissões de serviço «deixam de existir».
As novas regras permitem ainda ao Estado colocar funcionários públicos em mobilidade especial a dar aulas. «Depois de termos lutado tanto pela formação de professores, não se percebe como se pode fazer isto», questiona o sindicalista.
Esta terça-feira, a Fenprof pediu ao Ministério «uma reunião com carácter de urgência», mas no sábado o sindicato deverá já pôr em cima da mesa a discussão sobre formas de luta.
«Com papas e bolos se enganam os tolos e esta ministra pensa que nos engana com sorrisos, mas é ela quem está enganada», diz Nogueira, recordando que a proposta de Isabel Alçada vai contra o prometido por Maria de Lurdes Rodrigues «que em 2009 assegurou que as regras da lei 12/A da Função Pública não eram para aplicar na Educação».
14 de janeiro de 2011
DREC gasta 138 mil euros a tapar o sol aos carros

"Não há dinheiro para arranjar o muro da Escola José Falcão, em Coimbra, que ameaça a vida de pessoas, mas há 138 mil euros para tapar o sol aos carros dos funcionários da DREC. Isto é um escândalo e anedótico", acusam professores e encarregados de educação.
Para a Associação de Pais da Escola Secundária José Falcão (AP/ESJF), de Coimbra, para professores e alunos ouvidos pelo JN e para o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), "investir na cobertura de um parque de estacionamento ao ar livre, quando não há dinheiro para recuperar um muro decrépito e perigosíssimo, com cinco a seis metros de altura, na confluência da Rua Henriques Seco com a Avenida D. Afonso Henriques, que está a pôr em risco as pessoas e os carros que por ali passam, é uma "provocação", um atentado à inteligência".
Luís Lobo, dirigente do SPRC, disse ao JN que "é lamentável que, ao mesmo tempo que o Governo decide cortar 5,5% dos orçamentos de funcionamento das escolas e que o parque escolar de Coimbra precisava de ter uma intervenção que, por um lado, garantisse a sua conservação e, por outro, resolvesse alguns problemas estruturais das escolas, se assista a este despesismo, apenas para garantir a conservação não de qualquer bem público, mas tão só de bens privados".
"Espante-se (se ainda alguém se espanta!) o comum dos mortais com os 138 mil euros gastos em coberturas individuais para os automóveis designadamente dos dirigentes da DREC, através de serviço contratado à Ramos Catarino - Arquitectura de Interiores e Construção, Ldª., por ajuste directo!", afirma Luís Lobo, sublinhando que "depois não há dinheiro! Pois não, a gastar-se desta maneira!".
"Quanto mais disto haverá?"
O dirigente do SPRC ressalva que "estas são as coisas que vêm à tona!" e lança uma questão: "Quanto mais disto haverá espalhado pelas várias capitanias do Ministério da Educação e de outros organismos do mesmo Governo que imporá tantos sacrifícios aos portugueses neste ano que agora se inicia?". Ao JN, a presidente da AP/ESJF, Ana Costa, afirmou-se "chocada" com as prioridades e o "desprezo da DREC":
Jornal de Noticias, de 14.01.2010
Interessantíssimo artigo publicado hoje na VISÃO
Agiotagem…

Mário Soares decidiu e iniciou a venda do povo Português aos interesses estrangeiros. Utilizando falsas promessas que infelizmente muitos Zés, do povinho, acreditaram e interiorizaram.
Começando por Mário Soares, acabando em Sócrates… mas mais virão (infelizmente), todos deram cabo dos direitos conquistados pelos trabalhadores Portugueses. Para deste modo, existirem trabalhadores a preço de escravos, mas sem direito a estarem doentes; utilizando o fruto do trabalho desses escravos, para entregarem aos agiotas estrangeiros a titulo de soldo, mas com a descrição de pagamento de juros da divida externa.
A precariedade existente, recibos verdes, trabalho temporário… diminuição dos ordenados (atropelando a constituição mas sem medo porque o tribunal constitucional resume-se a um órgão de nomeação politica, onde predomina os nomeados pelo PS e PSD… que têm que defender os interesses de quem os nomeou), é uma bandeira de vitória do PS e PSD, com a ajuda do CDS, face ao poder instalado mundialmente. Esta foi uma das formas, dos sucessivos governos e presidentes, demonstrarem que são uns servos obedientes aos interesses dos agiotas mundiais.
Cavaco, na sequência de mudar o cheiro… mas o resto manter-se… lá continuou a aplicar e a negociar subsídios da União Europeia (seguindo as pisadas de Mário Soares), para acabar com a produção nacional e as pescas… Sim, vieram subsídios a rodos (só para alguns), para destruir tudo o que era produtivo…
E a Alemanha, entre outros, agradecem…
Actualmente conseguem ultrapassar a “crise” e encher os bolsos aos agiotas; porque, quem quer e precisa, tem que lhes comprar, e ao preço que eles querem…
Entretanto vamos sendo adormecidos com a desculpa que é preciso exportar mais, quando o grande problema é que não temos capacidade de produzir para consumo interno…. E lá se vai o nosso dinheirinho para importar produtos e pagar juros de créditos cedidos, generosamente é claro, por agiotas…
O problema desta crise, é a meia dúzia de agiotas mundiais… da dezena de aprendizes de agiotas, das centenas que sonham ser agiotas, e milhões que gostam de ser servos dos anteriores… à espera que lhe caia uma migalha…
10 de janeiro de 2011
Este Cavaco Silva não tem vergonha… E a escola pública?

Ao longo destes anos, os sucessivos governos têm atacado a escola pública, demonstrando intenções de quererem acabar com ela; Em beneficio das escolas privadas.
Não tenho nada contra as escolas privadas, mas quem quer ir para o privado que pague, e deixem o dinheiro público para investir nas escolas públicas, quer em quantidade quer em qualidade…
Se os sucessivos governos tivessem disponibilizado, para o ensino publico, o dinheiro que têm gasto com os privados, a esta hora tínhamos um ensino publico que nada devia ao existente, na maioria, nos países nórdicos.
Verdade, verdadinha…
Se existisse um bom ensino público já ninguém queria ir para as escolas privadas… e lá se ia o negócio lucrativo por água abaixo….
Por isso é preciso dar “cabo” do ensino público, para os “meninos” irem para o privado, e o estado financiar as instituições e os lucros dos seus proprietários.
Se ainda existem escolas públicas com qualidade, isto deve-se à carolice e sacrifício dos professores… professores que têm visto os seus direitos serem roubados, assim como, têm sido enxovalhados na praça pública por aqueles que os deviam defender.
Acho engraçado a preocupação que têm para com os professores do ensino privado; No entanto quando pagam ordenados de miséria a esses professores, e através de recibos verdes, não têm pena deles, nem se importam de saber como é que eles sobrevivem…
Se a escola pública funcionasse em boas condições, estes professores já não precisavam de andarem a ser explorados, pois teriam direito a ensinar com o mínimo de condições de vida e sabiam onde estariam no ano seguinte.
Se assim fosse quem perdia? Só os donos destes colégios privados , que fazem da exploração um negócio. E ainda por cima à conta dos nossos impostos.
Quanto à igreja:
Tenho pena que durante estes anos em que os sucessivos governos têm dado cabo da escola publica, a “Igreja” não se tenha organizado, como no presente, para denunciar e lutar contra a destruição de um bem tão precioso.
Enquanto isso Cavaco Silva, como Presidente da Republica, tem assistido impávido e sereno… mas agora como vão ao bolso dos seus amigos lá vem ele com moralismos… moralismo que não teve quando, como primeiro-ministro e presidente da república, contribuiu com actos e omissões para destruir um bem tão precioso, que é a ESCOLA PUBLICA.
29 de dezembro de 2010
Dona Abastança

Manuel da Fonseca e a caridadezinha tão em voga ao longo de todos os tempos.
Dona Abastança
«A caridade é amor»
Proclama dona Abastança
Esposa do comendador
Senhor da alta finança.
Família necessitada
A boa senhora acode
Pouco a uns a outros nada
«Dar a todos não se pode.»
Já se deixa ver
Que não pode ser
Quem
O que tem
Dá a pedir vem.
O bem da bolsa lhes sai
E sai caro fazer o bem
Ela dá ele subtrai
Fazem como lhes convém
Ela aos pobres dá uns cobres
Ele incansável lá vai
Com o que tira a quem não tem
Fazendo mais e mais pobres.
Já se deixa ver
Que não pode ser
Dar
Sem ter
E ter sem tirar.
Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem-fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado.
Oh engano sempre novo
De tão estranha caridade
Feita com dinheiro do povo
Ao povo desta cidade.
Manuel da Fonseca
24 de dezembro de 2010
Presidente Cavaco Silva, tenha vergonha…

Facilitou e impulsionou a privatização dos serviços públicos que são essenciais para a sobrevivência dos trabalhadores Portugueses.
Os trabalhadores para sobreviverem têm que pagar estes bens essenciais, como se de ricos tratassem. Para que os seus amigos enriqueçam cada vez mais, aumentando, diariamente, os seus lucros sobre os lucros;
Muito mais havia para dizer e demonstrar que V. Exa. é um dos grandes criminosos que contribuíram para a fome e a miséria que alastra no nosso Pais. Ao mesmo tempo que meia dúzia que lucrou com os seus actos, e retribuíram pagando campanhas e outros dividendos, estão a aumentar a sua riqueza a um ritmo alucinante.
A Alemanha também está-lhe muito agradecida, pois com o enterro do nosso sector produtivo, eles lucram com as suas exportações para Portugal, enquanto nós vamos estando cada vez mais endividados por causa de termos que comprar ao exterior, o que antes produzíamos…
Esta é a grande e verdadeira razão da nossa crise…
Foram pessoas como o Sr. e como os governos alternativos do PS, PSD e CDS, que puseram o nosso povo na miséria.
Quanto aos trabalhadores Portugueses, está na hora de deixarem a ingenuidade e a pobreza de espírito.
É necessário que os trabalhadores deixem de pactuar com as pessoas e politicas que consistem em fazer da miséria uma forma de vida para os trabalhadores Portugueses; E da luxúria e riqueza uma forma de vida para os banqueiros e todos os seus lacaios.
E não se esqueçam que esta luxúria e riqueza é fruto do trabalho dos Portugueses, porque os banqueiros e seus lacaios nada produzem, mas servem-se do trabalho dos trabalhadores para obterem riqueza e manipular as condições de vida do Povo.
23 de dezembro de 2010
Cada vez que ouço Cavaco Silva lembro-me de uma anedota
Estava um indivíduo a caminho da sopa dos pobres, encontra Cavaco Silva, e interpela tal figura. - Senhor Presidente, os sucessivos governos do PS, PSD e CDS com as suas políticas, que defendem os ricos à custa dos pobre, puseram este pais de tal maneira que até as raparigas licenciadas têm que se prostituir para sobreviver.
Cavaco Silva com o seu sorriso responde:
- O Senhor está inverter tudo,....o que se passa é que o nosso sistema de ensino está tão bom, que até as prostitutas hoje são licenciadas...
22 de dezembro de 2010
CTT novo patrocinador da retirada dos subsídios de doença…
O governo devia agradecer aos CTT os “ganhos” que vai ter pela retirada do subsídio de doença a alguns trabalhadores.
Pois ao proporcionarem o extravio das notificações para realização de juntas médica, marcações feitas com alguns dias de antecedência, ajudam a que haja falta da pessoa em causa, e… “ganho” financeiro, e ainda a ocasião para dizerem que este trabalhador é um trambiqueiro.
Em 3 meses recebi duas, e nenhuma era dirigida à minha residência.
Só restou-me gastar tempo e dinheiro para entregar a carta em causa, ao destinatário.
Peço desculpa, mas não contribui para esta poupança… mas contribui para substituir os serviços dos CTT, em entregar a correspondência aos verdadeiros destinatários.
Algo que já se tornou normal… em virtude dos correios serviram para muita coisa, menos para entregar correspondência. Enquanto que esta empresa é preparada para ser entregue, por meia dúzia de tostões, aos mercenários que povoam este país.
Salário mínimo nacional…

Todos os dias ouvimos que as empresas precisam de trabalhadores, e não conseguem contratar…
No entanto o que a maioria das empresas procura são escravos, escravos que ganhem o mínimo possível, o essencial para irem trabalhar no dia seguinte.
Felizmente, ainda, existem alguns empresários honestos, que rejeitam participar na exploração dos seus trabalhadores, no entanto são muito poucos…
A hipocrisia é enorme…
Até no tempo da escravatura os trabalhadores eram mais bem pagos. Nessa altura os “patrões” tinham que dar aos seus escravos um sítio para dormir e comida; Quando os escravos estavam doentes tinham que providenciar pelo tratamento destes.
Agora esta maioria hipócrita acha que € 500,00 é muito, no entanto esta quantia não dá para alugar uma casa, quanto mais para comer e ir ao médico.
Mas também é verdade, caso os trabalhadores adoeçam despedem-nos, e contratam outros. Quanto ao seu antigo trabalhador, ele que vá morrer de doença e fome… mas longe da sua vista.
A UGT mostra, mais uma vez, a finalidade da sua existência… e não é a de defender os direitos de quem trabalha.
Para quem diz que os trabalhadores têm muita sorte se tiverem trabalho, não se esqueçam:
No tempo da escravatura existia muito trabalho, mas não existiam direitos…
20 de dezembro de 2010
Conto de Natal – Maria e José na Palestina em 2010

Os tempos eram duros para José e Maria. A bolha imobiliária explodira. O desemprego aumentava entre trabalhadores da construção civil. Não havia trabalho, nem mesmo para um carpinteiro qualificado.
Os colonatos ainda estavam a ser construídos, financiados principalmente pelo dinheiro judeu da América, contribuições de especuladores de Wall Street e donos de antros de jogo.
"Bem", pensou José, "temos algumas ovelhas e oliveiras e Maria cria galinhas". Mas José preocupava-se, "queijo e azeitonas não chegam para alimentar um rapaz em crescimento. Maria vai dar à luz o nosso filho um dia destes". Os seus sonhos profetizavam um rapaz robusto a trabalhar ao seu lado… multiplicando pães e peixes.
Os colonos desprezavam José. Este raramente ia à sinagoga, e nas festividades chegava tarde para fugir à dízima. A sua modesta casa estava situada numa ravina próxima, com água duma ribeira que corria o ano inteiro. Era mesmo um local de eleição para a expansão dos colonatos. Por isso quando José se atrasou no pagamento do imposto predial, os colonos apropriaram-se da casa dele, despejaram José e Maria à força e ofereceram-lhes bilhetes só de ida para Jerusalém.
José, nascido e criado naquelas colinas áridas, resistiu e feriu uns tantos colonos com os seus punhos calejados pelo trabalho. Mas acabou abatido sobre a sua cama nupcial, debaixo da oliveira, num desespero total.
Maria, muito mais nova, sentia os movimentos do bebé. A sua hora estava a chegar.
"Temos que encontrar um abrigo, José, temos que sair daqui… não há tempo para vinganças", implorou.
José, que acreditava no "olho por olho" dos profetas do Antigo Testamento, concordou contrariado.
E foi assim que José vendeu as ovelhas, as galinhas e outros pertences a um vizinho árabe e comprou um burro e uma carroça. Carregou o colchão, algumas roupas, queijo, azeitonas e ovos e partiram para a Cidade Santa.
O trilho era pedregoso e cheio de buracos. Maria encolhia-se em cada sacudidela; receava que o bebé se ressentisse. Pior, estavam na estrada para os palestinos, com postos de controlo militares por toda a parte. Ninguém tinha avisado José que, enquanto judeu, podia ter-se metido por uma estrada lisa pavimentada – proibida aos árabes.
Na primeira barragem José viu uma longa fila de árabes à espera. Apontando para a mulher muito grávida, José perguntou aos palestinos, meio em árabe, meio em hebreu, se podiam continuar. Abriram uma clareira e o casal avançou.
Um jovem soldado apontou a espingarda e disse a Maria e a José para se apearem da carroça. José desceu e apontou para a barriga da mulher. O soldado deu meia volta e virou-se para os seus camaradas. "Este árabe velho engravida a rapariga que comprou por meia dúzia de ovelhas e agora quer passar".
José, vermelho de raiva, gritou num hebreu grosseiro, "Eu sou judeu. Mas ao contrário de vocês… respeito as mulheres grávidas".
O soldado empurrou José com a espingarda e mandou-o recuar: "És pior do que um árabe – és um velho judeu que violas raparigas árabes".
Maria, assustada com o caminho que as coisas estavam a tomar, virou-se para o marido e gritou, "Pára, José, ou ele dispara e o nosso bebé vai nascer órfão".
Com grande dificuldade, Maria desceu da carroça. Apareceu um oficial do posto da guarda, a chamar por uma colega, "Oh Judi, apalpa-a por baixo do vestido, ela pode ter bombas escondidas".
"Que se passa? Já não gostas de ser tu a apalpá-las?" respondeu Judith num hebreu com sotaque de Brooklyn. Enquanto os soldados discutiam, Maria apoiou-se no ombro de José. Por fim, os soldados chegaram a um acordo.
"Levanta o vestido e o que tens por baixo", ordenou Judith. Maria ficou branca de vergonha. José olhava para a espingarda desmoralizado. Os soldados riam-se e apontavam para os peitos inchados de Maria, gracejando sobre um terrorista ainda não nascido com mãos árabes e cérebro judeu.
José e Maria continuaram a caminho da Cidade Santa. Foram frequentes vezes detidos nos postos de controlo durante a caminhada. Sofriam sempre mais um atraso, mais indignidades e mais insultos gratuitos proferidos por sefarditas e asquenazes, homens e mulheres, leigos e religiosos – todos soldados do povo Eleito.
Já era quase noite quando Maria e José chegaram finalmente ao Muro. Os portões já estavam fechados. Maria chorava em pânico, "José, sinto que o bebé está a chegar. Por favor, arranja qualquer coisa depressa".
José entrou em pânico. Viu as luzes duma pequena aldeia ali ao pé e, deixando Maria na carroça, correu para a casa mais próxima e bateu à porta com força. Uma mulher palestina entreabriu a porta e espreitou para a cara escura e agitada de José. "Quem és tu? O que é que queres?"
"Sou José, carpinteiro das colinas do Hebron. A minha mulher está quase a dar à luz e preciso de um abrigo para proteger Maria e o bebé". Apontando para Maria na carroça do burro, José implorava na sua estranha mistura de hebreu e árabe.
"Bem, falas como um judeu mas pareces mesmo um árabe", disse a mulher palestina a rir enquanto o acompanhava até à carroça.
A cara de Maria estava contorcida de dores e de medo; as contracções estavam a ser mais frequentes e intensas.
A mulher disse a José que levasse a carroça de volta para um estábulo onde se guardavam as ovelhas e as galinhas. Logo que entraram, Maria gritou de dor e a palestina, a que entretanto se juntara uma parteira vizinha, ajudou rapidamente a jovem mãe a deitar-se numa cama de palha.
E assim nasceu a criança, enquanto José assistia cheio de temor.
Aconteceu que passavam por ali alguns pastores, que regressavam do campo, e ouviram uma mistura de choro de bebé e de gritos de alegria e se apressaram a ir até ao estábulo levando as suas espingardas e leite fresco de cabra, sem saber se iam encontrar amigos ou inimigos, judeus ou árabes. Quando entraram no estábulo e depararam com a mãe e o menino, puseram de lado as armas e ofereceram o leite a Maria que lhes agradeceu tanto em hebreu como em árabe.
E os pastores ficaram estupefactos e pensaram: Quem seria aquela gente estranha, um pobre casal judeu, que chegara em paz com uma carroça com inscrições árabes?
As novas espalharam-se rapidamente sobre o estranho nascimento duma criança judia mesmo junto ao Muro, num estábulo palestino. Apareceram muitos vizinhos que contemplavam Maria, o menino e José.
Entretanto, soldados israelenses, equipados com óculos de visão nocturna, reportaram das suas torres de vigia que cobriam a vizinhança palestina: "Os árabes estão a reunir-se mesmo junto ao Muro, num estábulo, à luz das velas".
Abriram-se os portões por baixo das torres de vigia e de lá saíram camiões blindados com luzes brilhantes, seguidos por soldados armados até aos dentes que cercaram o estábulo, os aldeões reunidos e a casa da mulher palestina. Um altifalante disparou, "Saiam cá para fora com as mãos no ar ou disparamos". Saíram todos do estábulo, juntamente com José, que deu um passo em frente de braços virados para o céu e falou, "A minha mulher Maria não pode obedecer às vossas ordens. Está a amamentar o menino Jesus".
O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/articulo.php?p=1831&more=1&c=1 .
Tradução de Margarida Ferreira
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
14 de dezembro de 2010
Os Putos

Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.
Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.
Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.
As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo
Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.
José Carlos Ary dos Santos,




