12 de dezembro de 2010

São os lucros e não os salários!


No dia seguinte ao chumbo pelo PS, PSD e CDS da proposta do PCP na Assembleia da República que visava a tributação dos dividendos dos grupos económicos, cuja distribuição estes decidiram antecipar de 2011 para 2010 – roubando assim umas centenas de milhões de euros ao Estado –, surgiu com grande estrondo nos principais meios de comunicação social a notícia de que, nos Açores, os salários dos trabalhadores da administração pública regional não seriam alvo de cortes.

As reacções foram as que se esperavam. Na tentativa de fazer esquecer a vergonhosa recusa da proposta do PCP sobre a taxação dos dividendos e de recentrar o debate ideológico no corte nos salários, sucederam-se declarações durante toda a semana.

Desde logo do próprio Presidente da República (e também candidato), que tinha ficado calado perante a golpada dada pelos grupos económicos com a antecipação da distribuição dos dividendos mas que, em relação aos cortes salariais, até a Constituição da República decidiu invocar para exigir a penalização de todos os trabalhadores. Uma declaração, aliás, coerente com uma vida de ataque aos salários quer como primeiro-ministro, quer como Presidente.

Manuel Alegre, também ele candidato à PR, no seu contorcionismo habitual, nuns dias criticou a decisão dos Açores, noutros considerou-a legítima. Enfim, o costume de quem quer andar à chuva sem se molhar.

E no meio desta erupção mediática, onde medram cálculos e oportunismos vários, registe-se ainda a dupla face de BE e CDS. Quem ouviu a deputada do CDS condenar o Governo por permitir a «excepção» aos cortes nos salários não imaginaria que o seu partido se tinha afinal abstido em relação a esta proposta nos Açores. E quem viu os deputados do BE a votar contra esta decisão na Assembleia Legislativa Regional nunca imaginaria que dias depois Francisco Louçã haveria de a defender com tamanha convicção.

Enfim, sobra o claro posicionamento de classe e a respectiva coerência de argumentos do PCP. Que não só esteve contra o corte nos salários como propôs e votou a favor de um apoio compensatório aos funcionários públicos nos Açores. E que não só denunciou a inaceitável manobra dos grupos económicos de fuga o fisco como apresentou uma proposta concreta para impedir tal golpada. Pois sabemos que é nos lucros escandalosos dos grupos económicos e não nos salários que se encontram as razões de tantas injustiças

Vasco Cardoso

7 de dezembro de 2010

O premio Nobel da Paz existe?

Hoje dei por mim a pensar que o Julian Assange ainda ia ganhar o prémio Nobel da Paz, devido a ter divulgado e continuar a divulgar factos concreto do submundo que sustenta o imperialismo, e que muitos fingem não existir; Uns por falta de consciência, outros porque vão ganhando com essa existência, por enquanto é claro.

Mas este pensamento foi rápido, rapidinho…

O prémio Nobel da Paz existe, mas não é para quem não abdica da sua consciência, para submeter-se ao poder do imperialismo, e vender-se ao poder dominante.
Depressa lembrei-me do prémio Nobel da Paz de 2007 que foi atribuído a Al Gore, que todos conhecem, e não é por ser um “grande defensor do meio-ambiente”, tal como foi apelidado para ganhar o prémio; Por causa de uns dispositivos sobre o Aquecimento Global.

Nesse mesmo ano foi candidata Irena Sendler, que muito fez pela humanidade… no entanto perdeu, para alguém que todos conhecemos, pelas piores razões. Ainda para quem tenha dúvidas dos mecanismos que regem a atribuição do Nobel da Paz, deixo aqui um “cheirinho” de quem foi esta grande Senhora Irena Sendler.

Depois digam-me o que é o prémio Nobel da Paz...


Irena Sendler faleceu em 12 de Maio de 2008, com 98 anos Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.
Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazistas relativamente aos judeus (sendo alemã!).
Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de serapilheira na parte de trás da sua camioneta (para crianças de maior tamanho).
Também levava na parte de trás da camioneta um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto.
Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças.

Por fim os nazistas apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas, braços e prenderam-na brutalmente.

Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim.

Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família.
A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adoptivos.


Ver Irene Sendler na pt.wikipedia

Por isso, Sr. Julian Assange não tenha pena de não ganhar o prémio Nobel da Paz.
Mas se tiver mesmo interessado em ganhar tal prémio, arranje uns documentos – não importa que sejam forjados – a dizer mal do governo Chinês, Venezuelano, Cubano, e outros parecidos.


Assim irá ganhar o prémio, de certeza…

Mia Couto - pobres dos nossos ricos

6 de dezembro de 2010

Hipocrisia Social...


A comunicação social hoje tirou o dia para divulgar as “boas acções” que as empresas fazem, usando os seus trabalhadores, acções que eles intitulam de responsabilidade social.

É pena que essas reportagens não abordem a postura destas empresas para com os seus trabalhadores. Estas reportagens deviam abordar se as empresas ditas benfeitoras cumprem, pelo menos, com os direitos consagrados na lei (que cada vez são menos).

Eu acho que iriam mostrar que fora de casa estas empresas vendem uma imagem, que não cumprem com os seus próprios trabalhadores.

Mas enfim, é preciso ter roupa lavada, mesmo que o corpo esteja a cair de podre.

É triste ver empresas que fazem da exploração dos trabalhadores a sua forma de estar na vida, estarem a vender para o exterior uma imagem de benfeitores….
Mas na realidade são uns malfeitores, que querem mostrar algo que não são na realidade com a ajuda da comunicação social, é claro… até nem têm grandes gastos, pois a seguir, deduzem tudo no IRC.

Quanto ao trabalhador, a seguir ao dia da boa acção faz o trabalho desse dia e do dia anterior, e vive feliz durante mais um ano…

Só tenho uma dúvida; Aquele que hoje recebe uma sopa, através deste tipo de voluntariado, como vai resistir até ao ano seguinte? E estes que uma vez por ano prestam voluntariado, como vão passar até ao próximo ano? Será que quando virem miséria vão virar a cara, para não pensarem que um dia poderão ser eles a estar naquela situação?

A miséria resolve-se com a alteração do sistema que a criou, e não com a bondade anual…

3 de dezembro de 2010

Aos órgãos da Comunicação Social

CAVACO SILVA e seus negócios

Três reformas, mais de 7.416€, valores de 2008...como representante de alguns portugueses... Isto e que vai uma crise.

Conforme devem perceber, não votarei no Cavaco Silva, mas gostava depois de ser esclarecido em relação às questões postas em anexo.

Tenho umas perguntinhas a sugerir à nossa prestigiosa comunicação social, que anda sempre com falta de assuntos e é muito distraída.


A quem é que Cavaco e a filha compraram, em 2001, 254 mil acções da SLN, grupo detentor do BPN?

O PR disse há tempos, em comunicado, que nunca tinha comprado nada ao BPN, mas «esqueceu-se» de mencionar a SLN, ou seja, o grupo que detinha o Banco.

Como as acções da SLN não eram transaccionadas na bolsa, a quem é que Cavaco as comprou?

À própria SLN?

A algum accionista?

Qual accionista? (Sobre este ponto, ver adiante.)

Outra pergunta que não me sai da cachimónia:

Como é que foi fixado o preço de 1 euro por acção?

Atiraram moeda ao ar?

Consultaram a bruxa?

Recorreram a alguma firma especializada?

Curiosamente, a transacção foi feita quando o BPN já cheirava a esturro, quando o Banco de Portugal já «andava em cima do BPN», ao ponto de Dias Loureiro (amigo dilecto de Cavaco e presidente do Congresso do PSD), ter ido, aliás desaconselhado por Oliveira e Costa, reclamar junto de António Marta, como este próprio afirmou e Oliveira e Costa confirmou.

Outra pergunta:

Cavaco pagou?

E se pagou, fê-lo por transferência bancária, por cheque ou em cash? É importante saber se há rasto disso.

Passaram dois anos.

Em carta de 2003 à SLN, Cavaco alegadamente «ordenou» a venda das suas acções, no que foi imitado pela filha. Da venda resultaram 72 mil contos de mais valias para ambos. Presumo que essas mais valias foram atempadamente declaradas ao fisco e que os respectivos impostos foram pagos. Tomo isso como certo, nem seria de esperar outra coisa.

Uma coisa me faz aqui comichão nas meninges. Cavaco não podia «ordenar» a venda das acções (como disse atrás, não transaccionáveis na bolsa), mas apenas dizer que lhe apetecia vendê-las, se calhasse aparecer algum comprador para elas. A liquidez dessas «poupanças» de Cavaco era, com efeito, praticamente nula. Mas não é que o comprador apareceu prontamente, milagrosamente, disposto a pagar 1 euro e 40 cêntimos de mais valia por cada acção detida pela família Cavaco, quando as acções nem cotação tinham no mercado.

E quem foi o benemérito comprador, quem foi?

Com muito gosto esclareço, foi uma empresa chamada SLN Valor, o maior accionista da SLN.

Cito o Expresso online:

«Cavaco Silva e a filha deram ordem de venda das suas acções, em cartas separadas endereçadas ao então presidente da administração da SLN, José Oliveira Costa. Este determinou que as 255.018 acções detidas por ambos fossem vendidas à SLN Valor, a maior accionista da SLN, na qual participam os maiores accionistas individuais desta empresa, entre os quais o próprio Oliveira Costa.»

Ou seja, Oliveira e Costa praticamente ofereceu de mão beijada 72 mil contos de mais-valias à família Cavaco. E se foi Oliveira e Costa também a fixar o preço inicial de compra por Cavaco, então a coisa é perfeitamente clara.

Que terá acontecido entre 2001 e 2003 para as acções de uma empresa que andava a ser importunada pelo Banco de Portugal terem «valorizado» 140 %?

Falta, neste ponto, esclarecer várias coisas, a primeira das quais já vem de trás:

1. a quem comprou Cavaco e a filha as acções?

2. terá sido à própria SLN Valor, que depois as recomprou?

3. porque decidiu Cavaco vendê-las? Não tendo elas cotação no mercado, Cavaco não podia a priori esperar realizar mais-valias.

4. terá tido algum palpite, vindo do interior do universo SLN, só amigos e correligionários, para que vendesse, antes que a coisa fosse por água abaixo?

5. terá sido cheiro a esturro no nariz de Cavaco? Isso é que era bom saber!

6. porque quis a SLN Valor (re)comprar aquelas acções? Tinha poucas?

7. como fixou a SLN valor o preço de compra, com uma taxa de lucro bruto para o vendedor de 140% em dois anos, a lembrar as taxas praticadas pela banqueira do povo D. Branca?

E já agora, se Cavaco Silva é tão preocupado com a pobreza e a inclusão dos cidadãos mais desvalidos, por que não aufere apenas o ordenado de Presidente da República?!

Será porque é mal pago e tem que acumular com as reformas de professor, do Banco de Portugal e de primeiro-ministro?!

Se estivesse sinceramente preocupado com os pobres e a recuperação das finanças do Estado, não deveria e poderia dar o exemplo e renunciar às reformas enquanto estivesse no activo?! Antes do Governo do dito senhor era assim, só se auferiam as reformas depois de deixar completamente o activo e os descontos eram englobados e pagas numa única prestação!

Que espera o professor para dar um exemplo de Catão como é o do seu apoiante Ramalho Eanes, o único que renunciou ao pagamento de muitos milhões que o Estado lhe devia?

Afinal o dinheiro de todos e que é dos nossos impostos tem um valor muito diferente, consoante a moral dos governantes sérios e dos que se governam …

Por hoje não tenho mais sugestões de perguntas à comunicação social.