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25 de junho de 2013
24 de junho de 2013
Professores, uma referência contra o medo
Na semana em que se assinalam os dois anos da posse do Governo
de coligação PSD-CDS, chefiado por Pedro Passos Coelho, o executivo sofreu uma
derrota política com a greve dos professores. O dia 17 de Junho pode vir a
ficar na história deste Governo como o dia marcante no que tem sido a investida
autofágica ao próprio Estado, que o Governo tem consumado no ataque aos
funcionários públicos.
A greve dos professores no dia de exame nacional de Português -
na continuação da greve às avaliações, que já estava a ser um sucesso - foi uma
importante derrota política de todo o Governo e em especial do
primeiro-ministro, que deu cobertura à forma como o ministro da Educação geriu
este assunto e o transformou num braço-de-ferro com os sindicatos dos
professores e com os professores em geral. A derrota foi tal que os exames
previstos para o dia da greve geral já foram antecipados para a véspera.
O primeiro-ministro autorizou e apoiou a forma autoritária e no
limite do poder democrático e do Estado de direito como o ministro da Educação
procurou forçar os professores a irem vigiar exames. Quebrando todas as noções
de bom senso e de tentativa de conciliação social que competem ao poder
executivo em democracia, o ministro da Educação insistiu na recusa em adiar o
exame para 20 de Junho, como foi sensatamente proposto pelo colégio arbitral a
que o próprio ministro recorreu e que se recusou a decretar serviços mínimos.
Se o tivesse feito, Nuno Crato tinha de uma penada saído como um governante que
sabe dialogar e reconhecer o direito democrático à greve, mas que pôs em
primeiro lugar o interesse dos alunos. Seria visto como um vencedor e teria
esvaziado a greve dos professores, deixando os sindicatos sem espaço político e
social para remarcar a greve para outro dia de exames.
Mas o primeiro-ministro, com o respaldo e o veemente apoio
político que deu a Nuno Crato nesta cruzada, decidiu que mais uma vez os
professores iam servir de exemplo. E adoptando a arrogância do autoritarismo
neoliberal perante o trabalho e prosseguindo a mesma linha ideológica de que
tem governado com o intuito de baixar o valor do trabalho, o Governo seguiu em
relação à greve dos professores as regras de um manual de thatcherismo de
trazer por casa. Convenceu-se que também ele ia "quebrar a espinha"
aos sindicatos. Enganou-se.
O que o Governo conseguiu foi lançar a confusão nos exames de
Português, que ou não se realizaram ou realizaram em muitos casos
atabalhoadamente. Se não, vejamos os dados que resultam de um dia de greve.
Segundo o próprio Ministério da Educação, apenas 76% dos 75 mil alunos
inscritos a exame conseguiram realizar a provas, ou seja, cerca de 20 mil
alunos ficaram sem exame de Português, pelo que o ministério foi obrigado a
anunciar logo no mesmo dia que se realiza novo exame dia 2 de Julho.
Mas a imagem da seriedade e do rigor de Estado, que é necessária
à execução de exames, ficou comprometida. Mesmo antes do dia, o facto de o
ministério convocar para vigiarem exames dez vezes mais professores do que os
dez mil que normalmente estariam envolvidos, mostra o desespero e a falta de
racionalidade com que o Governo agiu perante o problema. Já em relação ao dia,
os dados conhecidos falam por si.
Conclusão: o exercício de autoritarismo protagonizado por Nuno
Crato redundou em descrédito da autoridade de Estado e na mácula do currículo
dos alunos. A greve teve assim apenas um aspecto positivo - a vitória que ela
foi para os professores. E neste sentido, ou seja, num sentido social mais
amplo, pode dizer-se que esta greve foi uma mais-valia para a sociedade
portuguesa e para a democracia.
Isto porque, se o Governo pensou que ia fazer dos professores um
exemplo e que ia "quebrar a espinha" ao movimento sindical, a união
dos sindicatos e a união com que todos os professores agiram deu uma lição ao
Governo sobre como nem tudo é permitido e como há pessoas que não se deixam
intimidar pelo medo. A maioria da classe docente, ao mostrar que não se deixava
acobardar pela intimidação do Governo, deu uma lição de dignidade e serviu de
exemplo a toda a função pública, a todos os trabalhadores, à sociedade
portuguesa e à democracia portuguesa. Os professores estão assim de parabéns,
pois voltaram a ser uma referência para a sociedade, uma referência contra o
autoritarismo e contra o medo.
P.S. - Na sequência da greve, a
JSD fez na Assembleia uma pergunta em estilo fascistóide sobre o dinheiro que
os sindicatos recebem do Estado. Será que a JSD vai perguntar a seguir sobre o
dinheiro que os partidos recebem? Isto porque presume-se que a Jota saiba que
os sindicatos são organizações representativas da população tão centrais nas
democracias como os partidos.
Jornalista. Escreve ao sábado sao.jose.almeida@publico.pt
22 de junho de 2013
Reis Novais sobre a "selvajaria" - Jugular
Não deixem de ver
este vídeo
Se não nos unirmos (Professores, Pais, Alunos,...) e não agirmos rapidamente, voltaremos, num ápice, aos tempos
antigos - os "hard times", de
Charles Dickens!!!
21 de junho de 2013
"Professores em luta pela Escola Pública de qualidade para todos, em luta pela democracia"
Intervenção de Rita Rato na Assembleia de República
Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Depois de no passado sábado a resistência e a determinação dos professores ter inundado a Avenida da Liberdade, os professores portugueses realizaram ontem uma jornada de luta histórica em defesa da Escola Pública de Qualidade.
De norte a sul do país milhares de professores estão a construir uma poderosa luta em defesa da Escola Pública de Democrática.
Por isso mesmo, daqui saudamos com uma imensa confiança a luta de todos e cada um dos professores e professoras que perdendo um dia de salário, se organizaram e mobilizaram juntando forças na defesa da Escola Pública de Qualidade para Todos.
Esta greve de 17 de Junho, travada com uma imensa coragem pelos professores portugueses, foi ainda mais importante porque representou uma sólida expressão da unidade dos professores contra um Governo chantagista, irredutível e intransigente.
É curioso que nunca tenhamos ouvido o Ministro Paulo Portas em conferências de imprensa à hora do almoço de Domingo a anunciar o aumento de 2,6% dos manuais escolares, ou a anunciar o fim do passe escolar para os estudantes dos 4 até aos 23 anos; ou a anunciar o fim de terapias e apoios a alunos com necessidades especiais; ou a fazer um balanço do despedimento de 14.500 professores contratados, que tanta falta fazem à Escola Pública.
É também curioso que o Primeiro-Ministro, que se diz agora tão preocupado com os jovens e as suas famílias, não esteja nada preocupado quando força milhares de jovens a abandonar o seu país e a emigrar para fugir à miséria e à fome.
Não é nada curioso, é até bastante revelador que o Presidente da República conhecido pelos seus silêncios ensurdecedores, nunca tenha tido uma palavra a dizer sobre o drama de milhares de alunos forçados a abandonar os estudos, e sobre a justa luta dos professores tenha vindo contribuir para o clima de pressão e chantagem.
Hipocrisia política.
Sr. Presidente,
Sr. Deputados,
Os 95% de adesão à greve das avaliações, a par dos 90% registados no dia de ontem são reveladores da determinação dos professores, e provam que o Governo apenas permitiu o funcionamento de muitas salas de exame, através da adoção de um conjunto de ilegalidades, irregularidades e arbitrariedades.
Sabe bem o Governo que a luta dos professores não é contra os estudantes, é contra a política da Troika, de destruição da Escola Pública de Qualidade, é pela dignidade e respeito que merece e exige a profissão docente.
Podemos mesmo dizer que esta luta é também em defesa dos estudantes e os seus direitos, é pela defesa do seu futuro numa escola que assegure a formação da cultura integral do individuo, numa escola que assegure sempre qualidade do processo ensino/aprendizagem.
A dita preocupação do Governo sobre as consequências de 1 dia de luta dos professores é desmascarada por 365 dias de imposição de medidas de degradação da qualidade do ensino:
•o aumento do número de alunos por turma;
•a criação de mega-agrupamentos que desumaniza os espaços e aumenta a descoordenação pedagógica;
•a reorganização curricular para despedir milhares de professores;
•a exclusão de alunos com necessidades especiais, cortando e retirando apoios materiais e humanos essenciais.
Sr. Presidente,
Sr. Deputados,
A Escola Pública de Qualidade para Todos é uma das mais importantes conquistas de Abril. A Escola Pública é um dos pilares estruturantes do regime democrático.
Não há democracia sem Escola Pública de qualidade, e a degradação da Escola Pública significa a degradação profunda do próprio regime democrático.
Os professores sabem disto. E por isso mesmo, a sua longa jornada de luta não corresponde a nenhum desígnio corporativo. A luta histórica, travada em 2013 no século XXI, pelos professores é uma luta em defesa da democracia.
A luta dos professores portugueses em defesa dos seus direitos é inseparável da luta pela qualidade da Escola Pública; é inseparável da luta corajosa em defesa do próprio regime democrático.
A luta dos professores não é contra os alunos. É contra a política deste Governo e da Troika, em defesa do emprego com direitos contra o desemprego; em defesa da estabilidade e continuidade pedagógica contra a mobilidade especial.
Sr. Presidente, Sr. Deputados,
Os responsáveis pela instabilidade que se vive hoje nas escolas não são os professores, é o Governo e a sua intransigência de despedimento de milhares de professores e de cumprimento do Pacto da Troika.
Apelamos por isso aos professores em especial, mas a todos os trabalhadores, a todos os homens e mulheres deste país a lutar pela demissão do Governo e pela derrota do Pacto da Troika, em defesa dos valores de Abril e do regime democrático.
Disse.
"REQUALIFICAÇÃO" Docentes - Despacho aprovado em Conselho de Ministros
Despacho já
aprovado pelo Governo. Chamo a atenção para o ponto 3 que coloca a TODOS
os professores no "olho da rua", transferindo essa decisão para os
directores.
Se os
professores não perceberem agora, não podem queixar-se no futuro.
Atenção ao
"diploma próprio". Poderá ser aqui que entra como 1.ª cláusula o
resultado da avaliação externa!
Existem
professores que julgam que é lei a ordenação e que só estão em perigo os
últimos de cada grupo disciplinar.
Então...
ainda não está pronto para a greve?
Quem tem medo dos professores? (um grito de revolta)
Quem tem medo dos
professores?
Por Helena Almeida
…
pois...
Pelos
vistos, todos.
Quando
a classe se une;
quando
a inércia se sacode;
quando
a doentia tendência que os professores têm para cumprirem tudo, aceitarem tudo
sem um queixume - se transforma na revolta de quem já não aguenta
mais;
quando
os professores tomam consciência do poder que detêm - e o exercem, o país
treme.
Tremem
os políticos ao verem escapar-se-lhes debaixo das garras dominadoras a classe
que (justificadamente, diga-se...) acreditavam mais submissa, a mais sensível à
chantagem emocional. Os direitos dos jovens, pois
claro!
Tremem
os pais ao verem ameaçados ... basicamente, os seus organizadinhos planos de
férias, pois que outra coisa?
Hipócritas,
uns e outros.
Não
os comovem as crianças com fome, a única refeição diária retirada das escolas, a
ASAE que há anos se pôs a medir batatas e encerrou ou inviabilizou as boas
cantinas escolares, agora reféns da normalizada fast food de empresas
duvidosas.
Não
os comovem as escolas fechadas, as crianças deslocadas, as escolas-fábrica em
que cada aluno não é sequer um número, o interior do país desertificado, as
longas viagens de e para casa, o tempo com a família, inexistente.
Não
os comovem os livros deitados fora, que deixaram de servir porque sim: o
novo programa de matemática para quê se o outro dava mostras de funcionar, o
(des)acordo ortográfico para benefício de quem..
Não
os comovem os professores massacrados que lhes aturam os filhos todo o dia,
: «Já não sei o que fazer dele, dela..., em casa é a mesma coisa...
»,
Não
os comovem os alunos que querem aprender e não podem, a indisciplina na sala de
aula e os professores esgotados, deprimidos, muitas vezes doentes, os
professores que desabam a chorar no meio da aula, a tensão, as pulsações que
disparam e como é que se pode ensinar assim?
Não
os comovem os professores hostilizados publicamente por ministras, escritores,
comentadores, opinadores - e já lá vão anos de enxovalhamento!
Não
os comovem as políticas aberrantes do ministério da Educação, as constantes
alterações aos curricula, aos programas, as disciplinas de uma hora
semanal a fingir que existem e os professores que se adaptam aos caprichos
todos, formações atrás de formações, obrigatórias todas, pagas do próprio bolso
algumas;
Não
os comovem as condições de trabalho e de saúde de quem lhes zela pelos filhos,
as horas insanas passadas na escola, as tarefas sem sentido e as outras, o tempo
e a disposição que depois faltam para tudo o resto que fazem em casa, preparar
aulas, orientar trabalhos, corrigir testes, as noites que não dormem e amanhã
aguenta-te que não são papéis que tens à frente, mas sim
pessoas!
Não
os comovem vidas inteiras de andar 'com a casa às costas', 10, 20, 30 anos
contratados (dantes chamavam-se 'provisórios'), de Trás-Os-Montes ao Algarve e é
se queres ter emprego, SEMPRE assim foi até conseguirem um lugar no quadro de
efectivos numa escola - e agora aos 40, 50, à beira de vínculo nenhum! - as
regras que mudam, a reforma que se alonja, a carreira de há muito congelada, os
sucessivos cortes no salário, os impostos uns atrás dos outros e depois
......
cara
alegre que tens a responsabilidade de ensinar, formar, educar os nossos jovens,
futuro deste país ou de outro para onde emigrem, será mais
certo.
E
eu digo, professora que fui, professora que serei sempre e já não vos aturo:
VÃO-SE FODER com as vossas preocupações da treta, a vossa chantagem e as vossas
ameaças, os vossos apelos aviltantes. E não, não peço desculpa pela linguagem,
que outra não há que dê a medida da raiva.
Quem é que vocês,
políticos, associações de pais, pensam que são?
Vocês,
que destroem tudo o que de bom se tinha conseguido neste país? Que promovem o
regresso à miséria, ao cinzentismo, à ignorância? Que se estão borrifando para
os alunos e as famílias, a qualidade do ensino nas nossas escolas públicas? Que
tiram ao estado para darem aos privados? Que acabam com apoios onde eles eram
vitais, aos alunos mais pobres, aos alunos com deficiências? Que despedem
psicólogos e professores do ensino especial? Que, em exames, recusaram tempo
extra aos alunos que a ele tinham direito? Que não fazem nada para promover a
educação, os vossos podres serviços públicos reféns do vosso oportunismo, da
vossa falta de valores, do vosso cinismo?
Vocês,
que atacam os professores mas lhes confiam os vossos filhos? Que não os educam
em casa, mas esperam que eles o façam na escola? Que agora defendem a
"mobilidade especial" quando antes defendiam a estabilidade, se queixavam de que
as crianças mudavam de professores todos os anos? Que não percebem que um
professor maltratado é um profissional menos disponível para os alunos que tem à
frente? Que a luta dos professores é a luta pelos vossos filhos, pela qualidade
da sua educação, pelas oportunidades do seu futuro?
E
vocês, opinadores 'de bancada' que continuam a achar que os professores
trabalham pouco e ganham muito, por que se queixam agora desta greve (três meses
de férias, é?!), quando nunca antes se queixaram das condições miseráveis em que
vocês próprios sempre viveram?
Por que não se queixam dos dinheiros
mal-gastos destes políticos?
Por que não se queixam de um serviço público de
televisão que vos embrutece e vos torna prisioneiros de quem vos engana todos os
dias, vos impede de terem pensamento próprio?
Por que não se queixam da razia
deste governo sobre os funcionários públicos, dos serviços que vão funcionar
muito pior, das horas de espera que vão aumentar, nos hospitais, nos centros de
saúde, nos correios e nas repartições todas, a 'má-cara' de quem, maltratado,
vos vai atender com pouca paciência e muito cansaço?
A
vocês, que pelos vistos não sabem o que é uma greve, nunca vos vi defenderem os
professores do vosso país. Vi-vos aplaudirem uma ministra que vos 'ganhou',
'perdendo-os'. Vi-vos porem-se contra eles, ao lado dos filhos que vocês não
souberam nem se preocuparam em educar. Vi-vos irem às escolas apenas para
insultarem ou ameaçarem os que nela todos os dias 'dão o litro' para que os
vossos filhos sejam melhores que vocês, tenham as condições de vida que vocês
não puderam ter.
Os
professores não estão de férias, como vocês, que tudo julgam saber, gostam de
apregoar.
Os Professores estão em greve. Finalmente!
Os
Professores levaram anos a aguentar pauladas. Anos e anos a serem, eles,
prejudicados.
Agora fazem greve, dizem BASTA!
Vocês, deviam
fazer o mesmo, assim a educação que a escola pública vos proporcionou vos tenha
garantido sentido crítico, pensamento autónomo e DIGNIDADE.
Helena
Almeida
15 de junho de 2013
Agora não quero nada com os Professores…
Quero sim,
com os maridos e mulheres dos Professores,
com os filhos dos Professores,
com todos os Pais,
e com todos os defensores da Escola Pública.
Amanhã existe uma manifestação, temos que estar lá a apoiar
o pessoal docente, não docente e todos os meninos.
Como marido, mulher e filho…
Se isto avançar correm o risco de só ver os vossos
maridos/mulheres e mães/país ao fim de semana… pois podem ter o vosso querido a
ter que percorrer mais de 300 km para dar aulas;
Se isto avançar, o salário do vosso querido pode chegar
simplesmente para a manutenção e gasolina do automóvel;
Se isto avançar, pode ter o vosso querido sujeito a ir para o desemprego (sem subsidio
de desemprego);
Se isto avançar, e em virtude de todas as pressões e
desilusões, podem ter que passar o resto da vida do vosso querido a tratar
dele, das suas depressões e afins…;
Se isto avançar…. a família poderá se tornar, em meros
momentos de choro.
Como Pai/mãe…
Se isto avançar, poderemos ter um simples local para
despejar os filho… no qual a aprendizagem, o carinho, a compreensão deixarão de
existir para passar a termos um sítio em que carimbam os nossos filhos à
entrada e à saída…
Pois a ideologia destes governantes vai ao encontro daqueles
que querem emburrecerem a sociedade para que estes percam a capacidade de
pensar, a fim de serem mais facilmente manipuláveis…
É preciso dizer mais?
Já se esqueceram dos últimos ataques aos meninos, vossos
filhos?
Despeja-los em salas, diminuir/acabar com os apoios aos mais
carenciados, acabar com os apoios ao ensino especial e despejar os meninos “deficientes”
dentro de uma sala com mais “vintes e…”, acabar com disciplinas que eram uma mais-valia
na progressão de aprendizagem dos meninos…
É mesmo preciso dizer mais?
Não é pois não….
Agora é urgente e necessário estarmos todos na manifestação nacional
dos professores que se vai realizar no próximo sábado, às 15h, com inicio no
Marquês de Pombal.
Não desiludam os vossos filhos e familiares….
14 de junho de 2013
Do verdadeiro prejuízo
por Fátima Inácio Gomes, em 11.06.2013
O anúncio da greve de professores às reuniões de avaliação e a um exame nacional veio pôr a nu o país que temos. Um país de faz de conta.
Fica bem, democraticamente bem, dizer que “a greve é um direito”. Mas quando os professores anunciam uma greve (a medida mais radical de contestação, que se usa quando todas as outras se esgotaram) o democrático verniz estala. Um profissional da política (daí, um dos responsáveis pelo estado do país e das contas públicas), agora emboscado no comentário televisivo, acusa os professores de desrespeitadores e de criminosos. Ministros e deputados vociferam, diariamente, nos meios de comunicação social, incendiando a opinião pública, que educam à medida da sua manipulação.
O Governo lançou uma campanha espantosa de diabolização da greve dos professores, em particular à do exame a Português, transformando os alunos nos pobres cordeiros sacrificados à voragem do lobo mau. Como se o Governo, até à data, não tivesse feito mais do que lançar medidas que prejudicam as famílias e, muito particularmente, os jovens. Como se o Governo, até à data, na Educação, não tivesse lançado medidas com efeitos muito mais gravosos do que uma greve a um exame nacional pode causar. Mais uma vez, o Governo quer desviar o ónus da responsabilidade para os bodes expiatórios do costume… os professores. E há muita “opinião pública” que embarca neste discurso – ainda merecerá um estudo aprofundado a análise desta patologia que, recorrentemente, acomete a população sempre que os professores são assunto.
A degradação das condições de trabalho contra a qual os professores lutam não só põe em causa a qualidade do ensino atual (não, Sr. Ministro, não é o mesmo ensinar a 15 ou a 30 alunos, por mais fabulosos que sejam os métodos e competente seja o professor) como compromete perigosamente a qualidade do ensino no futuro: quem serão os professores do futuro, quando os que se formam atualmente (ou de há dez, quinze anos para cá) são enxotados do ensino? quem serão os professores do futuro, quando os bons estudantes são aconselhados a não seguir uma profissão que, garantidamente, não tem futuro de emprego e é cada vez mais desvalorizada e enxovalhada na sociedade?
Gostaria que algum senhor deputado, daqueles que estão tão indignados com a greve dos professores, me respondesse, aqui mesmo, neste espaço, frontalmente, a uma questão, se é que alguma vez descem da redoma onde se refugiam e isolam das pessoas que dizem representar para falar com elas.
Responda-me, pois, honestamente (e esta questão lanço-a também a todos os pais, a todos os portugueses): o seu filho é um bom aluno, está no 12º ano, e diz-lhe que quer ser professor de Biologia. Ou de Filosofia. Ou professor do primeiro ciclo. Ficará tranquilo com essa escolha? Achará, honestamente, que é uma boa escolha?
Tenho duas filhas, uma no 8º e outra no 10º ano. Nenhuma delas quer ser professora. Não por não reconhecerem valor à profissão (conhecem o meu trabalho e sabem reconhecer o dos seus professores), mas porque sentem que a profissão não é reconhecida. Muito menos valorizada, não só financeiramente, mas socialmente. Insurgem-se contra os comentários que veem na televisão, por exemplo, a propósito desta greve. Como se a mãe fosse a criminosa que o senhor Marques Mendes diz que ela é, por fazer greve, como se a mãe não tivesse os mesmos direitos que um varredor, um médico, um motorista, quando fazem greve. Como se a mãe fosse uma cidadã menor. E elas não querem isso para elas. E eu, apesar de gostar da minha profissão, também não quero isto para elas.
E assim, senhores deputados, senhores ministros, meus caros concidadãos, estamos a caminhar para um futuro muito mais prejudicial para muitos mais alunos do que aqueles que vão fazer agora exame. Caminhamos para um futuro sem professores. E aqueles que houver, serão os menos qualificados, incapazes de entrar num curso “melhor”. Que ensino será, então, o nosso, com esses professores? Que será, então, dos nossos alunos?
Percebem agora o perigo do caminho que se está a seguir? Quem anda, afinal, a causar verdadeiramente prejuízo aos alunos?
13 de junho de 2013
Lutar, resistir, por uma escola pública...
Os professores, tal como os outros trabalhadores, têm que
ser solidários...
Só assim podem vencer os dementes que querem destruir o
trabalho com direitos. Sim, que eles não querem destruir o trabalho, algo que
sempre houve.
Já no tempo da
escravatura sempre houve muito trabalho, não existiam era direitos.
Os professores do privado não se esqueçam que andam a ser
roubados dos "frutos" daquilo que produzem, pois em troca pagam-lhes
o caroço...
Mas atenção, não tenham ilusões…
No dia em que retirarem, ainda, mais direitos aos
professores da escola pública eles vão sentir consequências dessa retirada de
direitos.
Pois estes professores terão, ainda mais, o direito a
trabalhar mais por ainda menos…
É necessário lutar… é necessário lutar por uma escola
pública de qualidade. No dia em que tal for alcançado podem crer que o corpo
docente do ensino público crescerá drasticamente.
O que acabará é a necessidade do estado financiar os lucros dos donos dos colégios privados, e etc… e sobrará
para todos os docentes e restantes trabalhadores da escola pública serem
devidamente compensados pelo seu trabalho.
Assim como sobrará para os meninos terem direito a
crescerem, aprenderem e a serem felizes de mãos dadas com todo o corpo docente
e não docente, da escola pública…
DIA 15 de JUNHO – DE NOVO UM MAR DE PROFESSORES EM MANIFESTAÇÃO
Precisamos que assim seja! Depois do
enorme sucesso que está a ser esta greve às avaliações, uma excelente
manifestação aumentará a pressão sobre o MEC e o governo no sentido de impedir o
aumento do horário de trabalho e a aplicação da “mobilidade especial”,
antecâmara do desemprego para muitos professores, incluindo os do ensino
superior, e educadores. E dará confiança para a difícil greve do próximo dia
17.
Apelo por
isso não só à sua participação, mas a que dinamize a participação dos seus
colegas.
Este apelo
dirige-se também aos/às docentes das escolas do ensino particular e cooperativo
sobre os/as quais paira a ameaça de uma revisão escabrosa do
CCT.
De
passagem, e a título de incentivo, convido-o (a)a ler o poema de Ana Haterley
colocado na página do SPGL .
Vamos a
isto com confiança e determinação.
António
Avelãs
12 de junho de 2013
30 de maio de 2013
A proósito da Greve dos professores
«Nem de propósito... Tal Grécia, tal
Portugal.
Carta aberta de um estudante liceal
grego (Traduzida de "Echte Democratie Jetzt")»:
Aos meus professores... e aos outros:
O meu nome é K. M., sou aluno do
último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.
Decidi escrever este texto porque
quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia
daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os
ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos
alunos, dos estudantes e de todos jovens.
A minha razão para escrever é a
intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de
admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de
crocodilo sobre o meu futuro, o qual "estaria em causa" devido à greve.*
De que falam vocês? Que espécie de
futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu
futuro?
Deitemos uma vista de olhos sobre
quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:
- Quem construiu o futuro do meu avô?
- Quem vestiu o seu futuro com as
roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e
reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?
- Quem governou mal e estripou este
país?
- Quem obrigou a minha mãe a trabalhar
do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a
comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num
livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.
- Quem reduziu a metade o ordenado do
meu pai?
- Quem o caluniou, quem o ameaçou,
quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o
ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de
transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade,
entraram em greve?
- Quem procurou encerrar a
universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?
- Quem me deu fotocópias em vez de
manuais escolares?
- Quem me deixa enregelar na minha
sala de aula sem aquecimento?
- Quem carrega com a culpa de os
alunos das escolas desmaiarem de fome?
- Quem lançou tanta gente no
desemprego?
- Quem conduziu 4.000 pessoas ao
suicídio?
- Quem manda de volta para casa os
nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?
Foram os meus professores que fizeram
tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?
Vocês dizem que os meus professores
vão destruir os meus sonhos fazendo greve.
Quem vos disse alguma vez que o meu
sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?
Quem vos disse que o meu sonho é
trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês,
como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?
Quem vos disse que o meu sonho é
emigrar por razões económicas? Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de
recados?
Gostaria de dirigir algumas palavras
aos meus professores e aos professores em toda a Grécia:
Professores, vocês NÃO devem recuar um
único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta,
então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a
hipotecá-lo.
Qualquer recuo vosso, qualquer vitória
que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança
numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana.
Aos meus pais, aos meus colegas e à
sociedade em geral tenho a dizer o seguinte:
Quereis verdadeiramente que aqueles
que nos ensinam vivam na miséria?
Quereis que sejamos moldados nas salas
de aulas como mercadorias de produção maciça?
Quereis que eles fechem cada vez mais
escolas e construam cada vez mais prisões?
Ides deixar os nossos professores
sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa
solidariedade?
Quereis que os nossos professores
sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de
militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida?
Finalmente, quereis que vivamos como
escravos?
De amanhã em diante, todos os alunos e
pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem:
"Avançar e derrotar a tirania fascista!"
Lutemos juntos por uma educação de
qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o
nosso riso e o riso dos vossos filhos.
PS: Menciono as minhas notas do ano
lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem
com o argumento ridículo de que "só quero escapar às aulas": Comportamento do
aluno: "Muito Bom". Classificação média: 20 ("Excelente") [a nota mais alta nos
liceus gregos].
24 de maio de 2013
Nada de auspicioso se adivinha
Caros colegas
Em virtude da reunião ocorrida na passada semana (sexta-feira) entre o Ministério da Educação e a FENPROF, tenho a transmitir-vos resumidamente as informações que nos foram dadas pelo Ministério (na pessoa do secretário de estado do ensino básico e secundário):
1.ºOs Diretores de Agrupamento vão perder a subvenção que tem usufruído até à data pelo cargo que ocupam, uma vez que a mesma é considerada um suplemento remuneratório. O mesmo também se aplica aos demais funcionários que recebem suplementos;
2.ºOs professores que se encontrarem em horário 0 em setembro passam automaticamente para a mobilidade especial;
3.ºTodas as bonificações previstas no ECD que permitiam aos professores obter progressão mais rápida na carreira terminam;
4.º A equiparação das tabelas remuneratórias dos funcionários públicos e do privado deverão levar a uma redução salarial entre 15 a 20% a aplicar até 2015;
5.ºO aumento de trabalho irá passar de 35 horas para 40h, sendo que nos professores implicará um aumento de 3h na carga letiva, a aplicar a todos os professores, independentemente das reduções que possam beneficiar até ao momento;
O art.º 79.º está previsto acabar, estando a sua extinção ainda em estudo, se deverá ocorrer já em setembro de 2013 ou e setembro de 2014;
6.ºO ECD será revisto e para além das alterações previstas decorrentes do atrás exposto devem também introduzir novos artigos que preveem o despedimento por extinção de lugar, bem como a passagem à situação de mobilidade pessoal.
Dar-vos-ei mas novidades assim que souber, nomeadamente de novas formas de luta, pois cada um de nós não pode esquecer que os Sindicatos não são entidades individuais, mas sim todos nós. E ou agimos ou aceitamos passivamente. A consciência de cada um ditará o que deve fazer.
Com os melhores cumprimentos
De alguém...
Em virtude da reunião ocorrida na passada semana (sexta-feira) entre o Ministério da Educação e a FENPROF, tenho a transmitir-vos resumidamente as informações que nos foram dadas pelo Ministério (na pessoa do secretário de estado do ensino básico e secundário):
1.ºOs Diretores de Agrupamento vão perder a subvenção que tem usufruído até à data pelo cargo que ocupam, uma vez que a mesma é considerada um suplemento remuneratório. O mesmo também se aplica aos demais funcionários que recebem suplementos;
2.ºOs professores que se encontrarem em horário 0 em setembro passam automaticamente para a mobilidade especial;
3.ºTodas as bonificações previstas no ECD que permitiam aos professores obter progressão mais rápida na carreira terminam;
4.º A equiparação das tabelas remuneratórias dos funcionários públicos e do privado deverão levar a uma redução salarial entre 15 a 20% a aplicar até 2015;
5.ºO aumento de trabalho irá passar de 35 horas para 40h, sendo que nos professores implicará um aumento de 3h na carga letiva, a aplicar a todos os professores, independentemente das reduções que possam beneficiar até ao momento;
O art.º 79.º está previsto acabar, estando a sua extinção ainda em estudo, se deverá ocorrer já em setembro de 2013 ou e setembro de 2014;
6.ºO ECD será revisto e para além das alterações previstas decorrentes do atrás exposto devem também introduzir novos artigos que preveem o despedimento por extinção de lugar, bem como a passagem à situação de mobilidade pessoal.
Dar-vos-ei mas novidades assim que souber, nomeadamente de novas formas de luta, pois cada um de nós não pode esquecer que os Sindicatos não são entidades individuais, mas sim todos nós. E ou agimos ou aceitamos passivamente. A consciência de cada um ditará o que deve fazer.
Com os melhores cumprimentos
De alguém...
24 de março de 2013
Agressão grave a professora - contada pela própria
Bom dia,
Após contacto telefónico para denunciar uma agressão numa escola, foi-me solicitado que vos contatasse por este meio.
Assim, e enquanto professora e cidadã passo a relatar o acidente/agressão de que fui vítima.
Sou professora numa escola, em Setúbal e, na passada segunda feira, dia 25 de fevereiro, um aluno de uma turma de 9º ano retirou, sem o menor ruído e sem que quase ninguém se apercebesse, de propósito, a porta da sala de aula dos encaixes, pelo que a mesma ficou encostada à parede, dando a noção de que estava aberta normalmente. Quando me dirigi para a porta com o intuito de a fechar (convém salientar que é uma porta pesadíssima), a mesma caiu-me sobre o lado direito do corpo. Se não fosse um aluno estar junto a mim e tivesse sustentado a sua queda total, teria, certamente, ocorrido uma tragédia.
Chamei funcionários e um elemento da Direção da escola para testemunharem a ocorrência e foram necessárias quatro pessoas para voltar a colocar a porta nos encaixes. Como no momento, e com o susto, nada parecia ter-me magoado, continuei a dar aulas até às 18:30h.
Já no carro, durante o trajeto de Setúbal para Almada, comecei a sentir tonturas, dores no lado direito do corpo; um formigueiro e dores na cabeça, vista, ouvido e pescoço, pelo que me dirigi às urgências do Hospital Garcia de Orta, na área da minha residência. Permaneci durante seis horas nas urgências, onde me foram realizados exames, nomeadamente uma TAC e diversos RX que diagnosticaram um traumatismo craniano sem lesões internas graves e hematomas na cabeça.
O resto do corpo apenas está dorido e com nódoas negras (face, braço e anca). Contudo, e sem "pieguices" (como diria o nosso Passos), eu poderia ter morrido, se a queda da porta não tivesse sido apaziguada. E se caísse em cima de um aluno e o matasse?
A responsabilidade; negligência; leviandade; processo disciplinar e, quiçá, despedimento por justa causa seriam imputados a quem? Ao professor.
Todos lavariam as mãos qual Pilates... Quem me indemniza pelos danos de saúde de que padeço há três anos por ter ido parar a esta escola por um engano, omissão, incompetência...?
O que irá acontecer a estes alunos que já cometeram inúmeras infrações graves e continuam nas escolas como se nada fosse?
Sim, é que o IFP que, supostamente, "acolhia" estes alunos não os aguentam e estão a enviá-los para as escolas novamente... Surreal; irónico; subversivo.... não acham?
Gostaria que o meu caso fosse divulgado, não por ser mais um, mas por ter podido ser mais um, isto é, daqueles que são omissos por medo de represálias de vária ordem e/ou proveniência. Para além disso, segundo o MEC, os alunos, agora, após o Novo Estatuto do Aluno, têm, na teoria, punições graves. Contudo, na prática, e se forem menores, cometem delitos que põem em risco a integridade física e moral dos seus pares, assobiando impunemente, como se nada se passasse, uma vez que não têm a mínima consciência da consequência dos atos que cometem, mas sabem, porém, que nada lhes acontece de efetivo.
Nem os pais nem os alunos são responsabilizados pelos danos humanos e materiais que despoletam e as escolas e respetivas direções veem-se de mãos atadas, perante leis algo perversas. Como é que um Diretor pode penalizar um aluno como ele merece e de acordo com o delito que comete, sabendo que, muitas das vezes, a família sobrevive "à conta" do rendimento de inserção se o menino não prevaricar?
O que pode fazer um professor perante um caso "banal" destes? O que pode fazer a Direção de uma escola? O que pode fazer o MEC? O que pode fazer a sociedade? O que (se) pode fazer (de) Portugal? Come-se e cala-se com medo? Enterra-se a cabeça na areia e assobia-se para o lado, enquanto não for connosco e é com o colega? Espera-se que morra alguém a quem se tecerá hipócritas elogios na hora da partida? Por que motivo oiço todos os professores a queixarem-se no fundo das suas olheiras, diariamente, de tudo e todos, que se arrastam literalmente por não aguentarem mais a exaustão, a (o)pressão e o medinho, mas no momento de dar a cara, de falar, de confrontar, de estender a mão a um colega, se encolhem, enfiando a cabeça no seu umbigo cobarde e individualista, como quem pensa "não é nada comigo; o melhor é não me misturar...". Até, um dia, lhe tocar a si ou aos seus.
A desunião e o medo não fazem a força. A cobardia não deverá ser o nosso lema. O país e a sua soberania dependem de um ensino e de uma educação, onde se esteja e seja tratado com dignidade para que o brio e a motivação por dar/fazer mais e melhor venham ao de cima. É o lema de muitas empresas, até já em Portugal, note-se com estranheza...
Este é mais um desabafo de uma professora maltratada, que faz 80 quilómetros para ir trabalhar, gastando cerca de 250 euros/mês em gasóleo e portagens, sem quaisquer ajudas de custo, como tantos que tanto se queixam e, no entanto, as auferem; a quem retiraram cerca de 200 euros para acertos, no mês de fevereiro; que está congelada (a todos os níveis) há cerca de 8 anos; que vê contratados a serem colocados como efetivos, passando à frente dos seus 20 anos de serviço, porque o MEC decidiu oferecer mais um presente envenenado a 600 contratados, atirando areia para os olhos de todos, e passando, ou melhor, tentando passar, um atestado de debilidade mental aos professores e cidadãos portugueses, subestimado a sua inteligência. E os professores de quadro que estão há anos longe de casa e das suas famílias, gastando o que já não têm: saúde; esperança e dinheiro? Resta a frustração e ir trabalhar com dores; malas com rodinhas; com depressões ou cancros. Também, quantos mais morrerem melhor, certo?
Não vou cantar a Grândola Vila Morena, porque não estou em condições físicas para o fazer, mas conto com a divulgação deste texto ou caso (como melhor entenderem fazer), visto serem uma entidade respeitadora da liberdade de expressão dos portugueses e que, indubitavelmente, lhes servem um excelente serviço público.
31 de julho de 2012
A Luta pela posse de uma Bola
Exmº Sr Ministro da Educação e Ciência
Pensei
traduzir a minha indignação, relativamente à alteração curricular que Vª Exª
propõe, mas confesso que a emoção foi tal que tive de esperar algum tempo para,
após fazer algumas inspirações com profundidade, saber como o havia de fazer.
Imagine
que tenho um filho, ou Vª Exª tem um filho por exemplo, e questiono-me como é
que o devo educar. Naturalmente, a minha preocupação começa por contextualizar
um desenvolvimento infantil baseado numa boa alimentação e no conforto de um
envolvimento afectivo familiar (preferencialmente, no mínimo Pai e Mãe).
Eu
percebo e sei, que tal não é possível para todas as pessoas. Uns porque têm que
bulir, sujeitos às necessidades de sobrevivência, outros porque colocam a sua
carreira profissional à frente de tudo, primeiro a carreira depois os filhos e
ainda outros por ganância de dinheiro ou de poder, aspectos essenciais para
lhes alimentar o ego. Encostam-se aqui e ali, juntando-se a outros com os
mesmos dois objectivos e vão constituindo “lobbies” de poder.
Ora
bem, todos sabemos que, nos primeiros anos de vida, é fundamental e importante
garantir à criança um desenvolvimento equilibrado. Não é necessário tirar uma
licenciatura nos EUA. Qualquer Faculdade, mesmo essas muitas dezenas instaladas
há uns anos atrás, sabe-se lá com que objectivo, explicam isso.
Penso
que o referido objectivo foi para valorizar o ensino e a formação das
populações, ou de alguma população. O crescimento deve acompanhar um bom
desenvolvimento. A qualidade dos estímulos a que sujeitamos a criança é
fundamental. O crescimento é-nos garantido por condições saudáveis de vida. Se
a genética não nos pregar nenhuma partida, uma boa alimentação, afecto, equilibrado,
e um funcional enquadramento familiar, multidisciplinar, social e cultural, são
aspectos fundamentais a considerar.
Podemo-nos
questionar o que é um bom desenvolvimento. Este baseia-se, naturalmente, na
particularidade dos estímulos. Começa aqui a nossa discordância.
Apercebo-me
que para si, os factores cognitivos são os essenciais. Vª Exª é um homem do
pensamento. Do pensamento abstracto. Da criatividade, do intelecto. Como se
isso fosse um exclusivo da teoria. Esquece aspectos endógenos como os
idiossincrásicos. Vª Exª está a ver!?
Não
pode, nem deve, ignorar o corpo. É ele que o acompanha desde o primeiro dia.
Aquele que quando não está bem, transmite sintomas que o fazem, preocupado ou
assustado, recorrer ao médico. Aquele que irá ficar consigo até aos seus
últimos dias, quer saiba muita matemática, muitas línguas ou não. Isto é,
independentemente, das suas potencialidades intelectuais, das suas
competências, dos seus conhecimentos, tem que carregar com ele.
Estamos
perante uma realidade universal.
Aquele
corpo onde se dão as reacções químicas que sustentam a vida. Sim, porque é da
vida que estamos a versar. Aquele corpo que o olha reflectido no espelho. Que
lhe alimenta o ego. Que fomenta a vaidade. Que expõe o narcisismo que há dentro
de cada um. Que na intimidade promove um diálogo permanente, nem sempre
pacífico, com o espírito. Como nos diz André Giordan “O meu corpo, a primeira
maravilha do mundo”. Vª Exª vê, já estamos a misturar as coisas. Coisas do
corpo, da sua química e coisas da psique, do pensamento. Pois é, eu cá no velho
e histórico Portugal, estudei que nós somos uma unidade.
Nos
EUA não sei, nunca lá fui. Daí que eu conceba um desenvolvimento harmonioso,
nomeadamente na população infanto-juvenil, considerando essencialmente, a unidade
das áreas, da relação afectiva, cognitiva e motora. Não é por acaso, que por
exemplo, a (OMS - Organização Mundial de Saúde), no combate ao sedentarismo,
propõe um reforço da actividade física na formação geral nos currículos
académicos.
Desculpe
Vª Exª a audácia e o confronto. Não quero ferir susceptibilidades nem
sensibilidades.
Parece-me
que estamos a amarrar os miúdos às carteiras, com a ergonomia que se lhe
reconhece, (muitos miúdos, devido aos “trocos”) e dar-lhes mais do mesmo,
conceitos, fundamentalmente teóricos, independentemente dos ritmos de
aprendizagem e dos níveis de concentração, até eles se saturarem… ou
adormecerem. Atrás do bocejo, vem sonolência, a desconcentração, promovendo
assim o abandono. Desculpe, Vª Exª., mas não previu sequer no tempo de aula
curricular o tempo para os sentar (aos trinta).
Desculpe…
é o meu sentido pragmático de analisar as coisas. Não ligue. Sabe, Vª EXª,
desde Abril de 74 já tivemos, sentados no seu cadeirão, alguns trinta e quatro
ministros, e todos a pôr a mão na legislação. Não hão-de os professores a estar
confundidos e, naturalmente a cair na psiquiatria.
Voltemos
ao hipotético filho.
Ora,
a criança expressa-se e desenvolve-se significativamente, na sua unidade, pelo
movimento. Sobe, desce, empurra, salta, cai, corre, atira, agarra,
equilibra-se, etc..
Atenção,
não nos vamos esquecer aqui, dos protegidos, dos “arrumadinhos” que estão
sempre fechados e privados, não só do convívio em interacção com o outro, mas
também, de se exporem e expressarem através de actividades práticas promotoras
de desenvolvimento activo.
Está
a ver Vª Exª como se começam a imprimir modelos de vida, virados para a
actividade ou para o sedentarismo. Isto numa fase do desenvolvimento de
significativa dependência.
Ora,
como parece que somos seres inteligentes, é fácil perceber o que é mais
saudável. Não nos podemos esquecer que aquelas crianças que estão fechadas, a
família mais próxima que têm é, normalmente, a televisão, com os seus efeitos
subliminares neuromusculares (Derrick de Kerckhove, em “A pele da cultura”,
estuda isto), depois a televisão e as playstation e, mais tarde, a televisão,
as playstation e os computadores.
Digo
família porque eles passam mais tempo sossegadinhos com estes aparelhos, do que
com qualquer elemento da família. Certos pais dizem com orgulho que “O meu
menino não quer sair de casa” (“está domesticado”). Quando eles vivem a
complexa ruptura do abandono da infância, na adolescência, os pais dizem-nos, “Gostava
que ele praticasse algum desporto, mas ele não quer. Não sei o que hei-de fazer
dele”.
Desde
cedo é a publicidade através de filmes coloridos, bem musicados, movimentados,
curtos, variados e com a promessa de uma oferta, a estimular o imaginário (e o
consumo), que prende os mais novos. As mamãs para eles estarem mais
sossegadinhos ainda, até os põem em frente à televisão. Não sei, na minha
ignorância, até que ponto começam aqui a ficar referenciados os níveis de
concentração das crianças. Os rapazes do Marketing sabem isso e agradecem.
É
necessário segurar estes potenciais consumidores. Depois da fase publicitária
proporcionam-lhes o convívio com desenhos animados. Estes, os desenhos
animados, vão acompanhá-los, alternando com os jogos informáticos, até à idade
adulta, e continuam no decorrer desta. Pois, diariamente, podemos usufruir de
desenhos animados e jogos para adultos. Começa-se com “A Branca de neve e os
sete anões” e viaja-se até aos “Simpsons” ou “Family Guy”. Enfim há que
infantilizar. Quanto mais infantis, quanto menos crescerem, mais condicionados
às referências dos primeiros anos e mais consumistas.
Talvez
seja oportuna uma leitura a “Consumed – How markets corrupt children,
infantilize adults, and swallow citizens whole” de Benjamin R. Barber. Isto claro para ler nas
férias numa esplanada à beira mar. Até está em versão “amaricano”. Chomsky
chama-lhe «a fabricação do consentimento».
Temos
ainda aqueles pais, que para compensarem a sua ausência familiar reforçam esta
situação com ofertas destes equipamentos. E… atenção, quanto mais caro melhor.
Mais compensações afectivas. Mais ganhos afectivos. Julgam eles. Estou a
lembrar-me, o que lhe recomendo, do filme português “Adeus Pai”.
E
eu penso, tenho que libertar o meu filho desta imposição, deste padrão de vida
implantado, desta formatação de sujeito.
Exmº
Sr Ministro veja bem a aberração que não é, darmos a liberdade de movimento que
a idade infantil sugere e impõe, potencializar esta motivação que a criança tem
para brincar, interagir, explorar e descobrir. Veja bem a aberração que é
estruturar situações práticas, com segurança, no contexto da aula, situações
estas de grande envolvimento, onde o corpo, na sua unidade, é o objecto de
aprendizagem. Promover actividade física com significado. Desafiando a criança
a novas aquisições. De superação individual. Com esforço. Atenção, digo com
esforço físico e intelectual. Em grupo, onde a criança se expõe e interage,
adquirindo novas amizades e, simultaneamente, evoluindo da dependência para a
independência.
Aprende
a confrontar os amigos na posição de adversários e a aceitar isso como natural.
É aqui que se promovem correctas atitudes e aquisição de valores, de
compromisso e de dever, de obrigação e de reforço das atitudes volitivas.
Será
isto socialização, prática, experimentada e vivida?
Palermices,
não ligue. Não terão os pais, os encarregados de educação e a sociedade, o compromisso
de proteger e defender a formação e o desenvolvimento multifacetado da
personalidade das suas crianças?
Estamos
perante uma proposta cultural de desenvolvimento, de complexidade progressiva,
baseada em acções motoras fundamentais, tal como prevêm e sugerem os PROGRAMAS
de EDUCAÇÃO FÍSICA. Sim, porque existem os programas. Aprovados pelo Ministério
e concebidos para determinada carga horária semanal.
Talvez
o Exmº Sr Ministro ignore a sua existência, ou não queira olhar porque o
fundamental agora sejam os tais “trocos”. Mas eles existem, há já largos anos,
organizados por objectivos gerais e específicos, considerando as capacidades,
as atitudes e valores e, ainda imagine, as competências.
Veja
só, já enquadrava as capacidades de realização por integração de competências.
Como Vª Exª pode verificar trata-se dum conjunto de asneiras, mas existem uns
visionários, inteligentes, que se propõem já tratar desta situação, rever os
currículos e ignorar isto da Educação Física, senão os miúdos não aprendem a
contar, escrever e a ler e, ainda assim, podem-se poupar as referidas “massas”.
É
aqui que lamentavelmente, nutro alguma tristeza pelo significativo esforço, em
vão, de alguns intelectuais, nomeadamente Fernando Savater, Edgar Morin, e
quantos outros.
Repare
Vª Exª que os programas se enquadram numa lógica de verticalidade e
horizontalidade, de objectivos, conteúdos e avaliação de competências, desde o
Pré Primário ao Secundário. Isto está tudo bem “armadilhado”. Olhe, se Vª Exª
estivesse distraído!?
Veja
só Vª Exª o que eles propõem ainda. Oportunistas como são, enquadrados de
acordo com uma lógica cultural de desenvolvimento, e tirando partido da
significativa motivação dos alunos para a prática da disciplina (não podemos
ignorar a satisfação e gratificação das crianças e jovens na realização das
aulas de EF) insistem em continuar a promover os tais estímulos em qualidade,
aumentando assim, a rede neurónia, dado que o cérebro continua a crescer e a
desenvolver-se.
Já
viu Vª EXª o que é sujeitar um filho a situações de confronto controlado, de
interacção, de cooperação, promovendo o espírito de grupo e equipa?
Está
mal!?
E
depois obrigar os miúdos a respeitarem-se, a respeitarem os outros quer como
colegas de equipa, quer como adversários, a respeitar o Professor (a
instituição), a respeitar as regras e normas?
Está
mal!?
Sujeitar
os miúdos a situações de superação individual, a aprender a lidar com a
frustração, a promover o espírito de sacrifício, a consolidar aprendizagens e
evoluir para novas aprendizagens?
Ensiná-los
a lutar pelos seus objectivos, de acordo com os objectivos propostos para
aquisição de novas competências, cada vez mais exigentes e complexas?
Ensiná-los
a exporem-se na tentativa de execuções nas situações de aprendizagem, a
reforçarem a sua inclusão, a admitirem o erro como um desafio para novas
superações, a envolverem-se na estratégia de grupo, a desenvolverem o sentido
crítico perante as estratégias utilizadas?
A
luta pela posse de uma bola.
Mas,
depois, temos o problema deles suarem. Pois é, já me esquecia desse pormenor.
Tudo isto está mal!?
Eles
escolhem, gritam, riem-se, choram, abraçam-se e, veja Vª Exª, que até se
emocionam! Emoção. Quantas aulas de outras disciplinas a promovem??
Eu
sei que isto não acontece na matemática ou no Português. Não há cá “abraçinhos“
nem as típicas manifestações “Olé, Olé, Olá” quando acertam um problema. Mas um
golo, um cesto, merece individual e colectivamente a emoção do grupo.
E,
para chegar lá, o cérebro tem que pensar, rápido, em pressão, como deve
executar ou como deve movimentar-se no espaço perante os outros, equipa e
adversários, de acordo com a actividade padronizada proposta, para ser eficaz.
E isto vale a emoção dum abraço, que alimenta a unidade do grupo, quer no
contexto de aula, quer fora do contexto de aula.
Promove
ainda um clima escolar facilitador das aprendizagens e, consequentemente, evita
o abandono escolar. Já viu Vª Exª, o micro social, grupos, equipas, regras,
normas, árbitros, disciplina, luta, empenho, esforço, estratégia, compromisso
que um simples jogo representa em termos de amostra para o macro social?
Com
a vantagem de não ser simulado, é mesmo vivido e integrado. Repare Vª Exª, a
aula acabou, eles dizem “Já!? Oh professor, deixe-nos ficar mais um pouco”.
Repare Vª Exª, no recreio eles correm todos para a biblioteca para fazer
exercícios de matemática e estudar outros conteúdos. Vá Vª Exª a uma escola e
veja por si.
São
os jogos que os motivam. Estão a treinar. A repetir os conteúdos de EF. Vª Exª
já experimentou ler as observações dos alunos nos relatórios das avaliações das
escolas?
Para
muitos é a Educação Física (EF) e o Desporto Escolar (DE) que os leva à escola.
Vou
segredar a Vª Exª uma questão curiosa: No primeiro dia de aulas depois das
habituais apresentações. Proponho um jogo e, disfarçadamente, observo-os.
Depois vejo, quem tem hábitos desportivos e executa com alguma qualidade, quem
se empenha, quem se retrai, quem tem medo, quem evita expor-se, quem é egoísta,
individualista, quem se expõe demasiado, quem é disciplinado, quem, embora sem
grandes técnicas, é lutador tenta superar-se, quem é extrovertido, quem é
introvertido. A esta observação acrescento uma leitura da ficha biográfica dos
alunos (pais, mães, profissões, empregos, irmãos) e tenho a turma retratada em
pouco tempo.
Tudo
porque a Educação Física tem a particularidade prática de envolver significativamente,
os miúdos, alunos, nas actividades solicitadas. Aqui não estão a olhar para o
professor ou para o quadro fingindo que estão concentrados e estão com o
pensamento distante. Aqui o empenho só pode ser de envolvimento e entrega às
situações de aprendizagem.
Exmº
Sr. Ministro, depois de tudo isto diz-nos que a nota vai deixar de contar para
a média no Secundário!!??
Então
eu estou motivado, esforço-me e depois não conta?
Ainda
assim, com médias de sucesso elevadas em Educação Física, dada a motivação e
empenho dos alunos. Está a prejudicar a grande maioria dos alunos e a esvaziar
e ignorar os compromissos empenhados destes ao longo dos anos. Está a ver Vª
Exª a injustiça e revolta que está a promover?
Tem
razão, Vª Exª é Ministro, logo, tem razão. É evidente, que isto é tudo treta!
Vª Exª, não acredite em nada disto. Até aqueles sujeitos daquela organização da
saúde (OMS), também estão metidos nisto. Veja só que querem que a actividade
física seja diária, como forma de prevenir a doença e promover a saúde.
Mas,
nós estamos protegidos por pessoas inteligentes do Ministério da Educação.
Basta uns minutos por semana de brincadeira e aí estão os hábitos saudáveis de
vida implantados, para toda a vida do cidadão, sem promoverem despesas a médio
e longo prazo na área da saúde. E depois, o que é isso da prevenção da
obesidade infanto-juvenil, diabetes, hipertensão, do reforço da estrutura
osteomuscular, da coordenação motora, da estabilidade psicológica, do aumento
da auto estima, etc..
Tudo
tretas!
Exmº
Sr Ministro da Educação não vou alongar mais este resumo. Vª. Exª dá ares de
inteligente, prove-o, reflicta nesta situação e reconheça que as coisas não
estão bem decididas. Todos nós erramos e por vezes até somos ultrapassados por
certas contingências, mas por favor, não estrague! Compreenda o significado da
luta pela posse de uma Bola.
Romão
G Antunes
(Presidente
da Direcção da APEF-Foztejo, Associação de Profissionais de Educação Física dos
Concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete
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